Novo livro revela supostos abuso sexual contra crianças dentro do Vaticano

Cristina Cabrejas.

Roma, 9 nov (EFE). - Os supostos abusos sexuais na Escola San Pio X e os grupos de poder do Vaticano que dificultaram os trabalhos de papas anteriores são analisados no novo livro do jornalista italiano Gianluigi Nuzzi, julgado em 2016 pelo vazamento de documentos.

Intitulado "Peccato originale" (Pecado Original), o trabalho foi apresentado nesta quinta-feira e é dividido em três partes: Sangue, Dinheiro e Sexo. O material inclui provas e relatos das tentativas de negociação entre a Santa Sé e o Ministério Público de Roma, em 2011, para encerrar a investigação sobre o desaparecimento da jovem Emanuela Orlandi, em 1983, que, segundo Nuzzi, o então secretário do papa Bento XVI, Georg Gänswein, estava ciente.

O autor inclui no livro documentos bancários que provam, ao seu ver, as ilegalidades cometidas pelo Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano, entre elas as gordas contas em nome de madre Teresa de Calcutá, a compra e venda de ouro, ou as transferências de fundos para paraísos fiscais emitidas pelo Vaticano nos anos de 70, quando o arcebispo Paul Marcinkus era presidente do IOR e o papa, Paulo VI.

Nuzzi relata o encontro que teve com Ayda Levy, que foi esposa de Roberto Suárez Gómez, "O Rei da Cocaína", e o seu filho, Gary, que contam que o presidente do Banco Ambrosiano, Roberto Calvi, era um dos "parceiros" do traficante. Segundo a teoria de Nuzzi, a morte do papa João Paulo I, eleito em 26 de agosto de 1978 e que faleceu 33 dias depois, foi "um homicídio moral", já que a morte natural por infarto, na verdade estresse e angústia ao tentar conduzir as ilegalidades do IOR.

Em declarações à Agência Efe, o jornalista afirmou que o seu livro fala sobre os grupos de poder que foram obstaculizando as gestões papais e que levaram Bento XVI a renunciar e agora impedem a revolução de Francisco. A obra também conta a história que o jovem polonês Kamil Tadeusz Jarzembowski, que revelou sobre os abusos que aconteciam no seu quarto com outro seminarista e que ele presenciou mais de 140 vezes.

Abusos, contra os quais, segundo o jovem polonês, ninguém fez nada. As ações teriam acontecido dentro da Escola San Pio X, no Vaticano, que abriga coroinhas e possíveis futuros seminaristas, entre 2013 e 2014.

"Além disso, a gravidade é que este silêncio acontece dentro do Vaticano", enfatizou Nuzzi.

Kamil enviou cartas denunciando os fatos a vários bispos e ao arcebispo da Basílica de São Pedro, até 2014, o cardeal Angelo Comastri, com respostas pouco enfáticas, segundo o autor.

O jornalista informou que entregará uma cópia do livro ao promotor de Justiça do Vaticano, Gian Pietro Milano, "para que determine qualquer possibilidade de investigação sobre os casos de pedofilia e sobre Emanuela Orlandi".

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