ONU diz que conflito na Síria se agravou nas últimas semanas

Genebra, 9 nov (EFE). - A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta quinta-feira que o conflito na Síria piorou nas últimas semanas e que são muitos os relatos de bombardeios e de novos deslocamentos de civis em várias províncias, apesar de a pior situação ser na cidade de Ghouta Oriental, na periferia de Damasco.

"Estamos voltando aos dias mais desoladores deste conflito. Existem novos civis no meio do fogo cruzado em muitas províncias e ao mesmo tempo", declarou à imprensa o responsável do acesso humanitário às áreas sitiadas na Síria, Jan Egeland.

Segundo ele, atualmente, existem em Ghouta Oriental 400 mil civis, principalmente mulheres e crianças, para os quais a ONU tenta levar alimentos e remédios com pouco sucesso por se tratar de uma área militarmente cercada. Egeland afirmou que a ajuda entra a conta-gotas nos lugares onde os civis mais precisam e se isto continuar acontecendo uma "catástrofe total" acontecerá.

As palavras dele contradizem o discurso do governo sírio, que tenta transmitir um sentimento de normalidade e de que a guerra civil está praticamente no fim, após a recuperação dos maiores centros urbanos que grupos rebeldes e o grupo terrorista Estado Islâmico controlaram.

Sobre a contradição dos discursos, Egeland afirmou que, embora a sua descrição da situação na Síria "soe diferente a que os outros dizem", o único que ele transmite "é a verdade exata e completa". De acordo com ele, é "incontável" o número de pessoas que nos últimos dez dias, particularmente, foram vítimas de ataques aéreos, com morteiros e muitos outros tipos de bombardeios.

Conforme dados da ONU, de 400 mil a 500 mil pessoas continuam em áreas sitiadas, na sua maioria pelas forças governamentais, mas também por grupos armados rebeldes, e por esta razão praticamente não há ajuda humanitária que chegue.

Além disso, 2,9 milhões de pessoas estão em áreas qualificadas pelos centros humanitários como de "difícil acesso", o que quer dizer que só recebem ajuda de forma esporádica, quando as condições de segurança permitem.

Egeland indicou que a ONU ainda não entrou em Raqqa, que foi o reduto do Estado Islâmico na Síria, recuperado pelas forças do governo em outubro, porque o local está infestado de minas e outros artefatos explosivos deixados pelos terroristas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos