Parlamento austríaco toma posse em meio a protestos contra extrema-direita

Viena, 9 nov (EFE).- O novo parlamento da Áustria, surgido após as eleições do último dia 15 de outubro, tomou posse nesta quinta-feira em meio a protestos contra a provável chegada ao poder da extrema-direita, enquanto os social-democratas lembravam a chamada "noite dos vidros quebrados", ocorrida há 79 anos.

Com a presença do presidente da Áustria, o ecologista Alexander van der Bellen, os deputados de cinco partidos fizeram juramento ao mandato de cinco anos, em uma sessão transmitida ao vivo pela emissora de televisão pública "ORF".

O conservador Partido Popular (ÖVP), liderado pelo ministro de Relações Exteriores em fim de mandato, Sebastian Kurz, grande ganhador dos pleitos, aumenta a sua presença na câmara com 11 deputados a mais e ocupa a partir de hoje 62 das 183 cadeiras.

Em segundo lugar está o Partido Social-Democrata (SPÖ) do chanceler federal em fim de mandato, Christian Kern, com 52 legisladores (um a mais), que provavelmente passará à oposição após liderar durante os últimos dez anos a coalizão governante com o ÖVP.

O ultranacionalista FPÖ, do populista Heinz-Christian Strache, que conseguiu aumentar sua presença parlamentar de 38 para 51 cadeiras, negocia atualmente com Kurz uma possível aliança de governo.

"Não se deve permitir que os nazistas governem", foi a palavra de ordem entoada hoje pelos participantes de uma passeata que percorreu pacificamente o trajeto entre a universidade e a ópera de Viena.

Para esta tarde está convocada uma manifestação maior contra a participação no governo do xenofóbico e eurocético FPÖ, um grupo fundado em 1955 por antigos nazistas, que, no entanto, nos últimos anos se distanciou do antissemitismo.

"Hoje, há 79 anos, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, começaram os pogroms de novembro", lembrou a presidente do parlamento em fim de mandato, Doris Bures, no seu discurso inaugural da sessão, dedicado à memória das dezenas de milhares de vítimas, na sua maioria judias, do Holocausto na Áustria.

"É um crime que ressalta o significado e o valor da nossa democracia", declarou Bures pouco antes de ser substituída pela nova presidenta da câmara, a ex-eurodeputada do ÖVP, Elisabeth Köstinger.

Em uma ação arranjada pelos nazistas, em 9 de novembro de 1938 foram destruídas dezenas de sinagogas na Alemanha e na Áustria anexada, e milhares de judeus foram detidos e dezenas assassinados, no que se considera como o início do Holocausto, que matou seis milhões de judeus na Europa.

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