Promotoria alemã vincula enfermeiro condenado à prisão perpétua a 106 mortes

Berlim, 9 nov (EFE).- A Promotoria alemã acredita que o enfermeiro Niels Högel, condenado à prisão perpétua em 2015 por dois assassinatos e três tentativas de assassinato de seus pacientes, pode ter matado até 106 pessoas.

Durante o julgamento, o homem confessou que entre 2003 e 2005 injetou coquetel de diversos remédios que causaram overdose em 90 pacientes, dos quais 30 faleceram, por isso que a Promotoria e a polícia decidiram seguir com as investigações e hoje apresentaram um relatório baseado em novos estudos toxicológicos.

O enfermeiro foi condenado pela primera vez em 2006 por uma tentativa de assassinato na Audiência de Oldenburg (centro da Alemanha) e a essa pena foram acrescentadas posteriormente outras acusações, que derivaram na prisão perpétua ditada há dois anos.

A Promotoria e a polícia informaram hoje que, segundo as investigações, é possível relacionar o homem com outras 62 mortes registradas na Clínica Delmenhorst, próxima a Oldenburg, na qual os pacientes receberam presumivelmente overdose de remédios como Ajmalina, Sotalol e Lidocaína.

Os investigadores suspeitam, além disso, que o acusado pode estar envolvido em outras 38 mortes registradas na Clínica Oldenburg, na qual também trabalhou.

Nas análises realizadas em vários corpos foram detectados também os remédios citados, embora em cinco dos casos seja necessário realizar estudos complementares.

Faltam, além disso, os resultados dos relatórios toxicológicos realizados após as exumações solicitadas pela Promotoria às autoridades da Turquia, onde foram enterrados alguns dos pacientes.

A Promotoria deve apresentar novas acusações contra o enfermeiro no início do próximo ano.

O acusado confessou durante seu último julgamento que tinha injetado em até 90 pacientes coquetéis de remédios que causaram alterações sérias da circulação e nos batimentos cardíacos.

O acusado descreveu a tensão que vivia perante o que poderia ocorrer quando injetava os remédios no paciente, o bem que sentia quando conseguia reanimá-los e o quão deprimido as mortes lhe deixavam.

Quando um paciente morria, prometia a si mesmo não provocar mais mortes, mas os bons propósitos "se desvaneciam com o tempo", explicou.

Tudo isto realizou, segundo seu testemunho, por aborrecimento e para demonstrar seu valor perante seus colegas de trabalho na Clínica Delmenhorst.

Ao longo do julgamento foi possível documentar cinco desses casos fracassados de reanimação.

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