Empresa israelense de espiões se desculpa por caso Weinstein e doará dinheiro

Jerusalém, 10 nov (EFE).- A empresa israelense de inteligência Black Cube, composta por ex-agentes da Mossad, se desculpou por ter prestado serviços ao produtor de Hollywood, Harvey Weinstein, para tentar deter as denúncias de abusos sexuais contra ele, e se comprometeu a doar os honorários recebidos a organizações em defesa das mulheres.

"Certamente, pedimos desculpas a quem se sentiu ferido por isso", declarou ontem à noite Asher Tishler, membros do conselho consultivo do Black Cube, ao "Canal 2" de notícias israelense.

Além disso, a empresa se comprometeu a doar a associações que trabalham com mulheres a quantia recebida por Weinstein pelos serviços prestados, que segundo o jornal "The Times of Israel" chegaria a US$ 1,3 milhão.

"Quando recebemos o trabalho, não sabíamos do que se tratava. É um caso que feriu mulheres e, se soubéssemos, obviamente não teríamos aceitado", sustentou perante as perguntas do jornalista.

Sobre a mediação do ex-primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, o alto cargo disse que o ex-mandatário não teve nada a ver com o assunto, já que se limitou a conectar a empresa com Weinstein, sem saber do que era acusado.

A revista americana "The New Yorker" foi a primeira a revelar a contratação de advogados, detetives privados e ex-espiões israelenses, para tentar deter as informações sobre as acusações de abusos sexuais contra o poderoso produtor de Hollywood.

Entre estes, consta um contrato assinado pelo advogado de Weinstein, David Boeis, e a firma de investigadores privados Black Cube para "deter completamente novos artigos negativos" que eram preparados pelo "The New York Times".

Os investigadores privados teriam se reunido, com identidade falsa, com atrizes como Rose McGowan, uma das dezenas de mulheres que denunciaram diferentes casos de agressão sexual por parte de Weinstein.

O meio revela que uma ex-espiã israelense se passou primeiro por Diana Filip, como defensora dos direitos da mulher, e posteriormente utilizou o nome de Anna para ganhar a amizade das denunciantes e conseguir informação das reportagens que seriam publicadas.

A firma de investigadores Black Cube chegou a utilizar pelo menos uma empresa fantasma radicada em Londres para obter suas informações, segundo o "The New Yorker".

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