Hezbollah acusa Arábia Saudita de manter premiê libanês detido

Beirute, 10 nov (EFE).- O líder do movimento xiita Hezbollah, Hassan Nasrallah, acusou a Arábia Saudita nesta sexta-feira de ter detido o ex-primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, e de proibir seu retorno ao Líbano.

"É preciso dizer isso de forma clara: o primeiro-ministro está detido na Arábia Saudita e está proibido de voltar", disse Nasrallah em discurso televisionado no qual voltou a responsabilizar Riad pela renúncia de Hariri.

Hariri anunciou sua renúncia no último dia 4 em Riad, onde denunciou que estava sendo preparado um atentado contra sua vida, atacou o Hezbollah e criticou a ingerência do Irã em seu país.

Nasrallah, que também acusou o reino saudita de solicitar a Israel que ataque o Líbano, acrescentou que "a Arábia Saudita interveio de maneira pública e sem precedentes, ao obrigar o chefe do governo a renunciar".

"O comunicado (de renúncia) foi escrito por eles (os sauditas) e depois lhe impuseram (a Hariri) prisão domiciliar e lhe impedem de voltar", declarou o líder do Hezbollah, que voltou várias vezes à mesma ideia durante seu discurso, no qual também ressaltou que as autoridades do reino pretendem impor um novo primeiro-ministro.

Além disso, afirmou que Riad está tentado "incitar os libaneses uns contra outros" e acrescentou que "pior que isso, a Arábia Saudita pediu a Israel que ataque o Líbano".

Nasrallah, que reconheceu que "desde o sábado passado (dia da renúncia de Hariri) o Líbano vive uma crise política", considerou também que a "detenção" é um insulto a todos os libaneses e pediu a imediata "libertação" de Hariri.

Para Nasrallah, a decisão de Hariri nas circunstâncias nas quais ocorreu é "ilegal, porque aconteceu sob pressões e ameaças".

Horas antes do discurso, o presidente do Líbano, Michel Aoun, aliado de Hezbollah, afirmou que as circunstâncias da renúncia de Haririson eram "inaceitáveis" e insistiu na necessidade de que retorne ao seu país.

Aoun fez estas declarações em um encontro com os embaixadores do conhecido como Grupo de Apoio Internacional ao Líbano - formado pela ONU, China, França, Alemanha, Itália, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos -, assim como com diplomatas da União Europeia e da Liga Árabe.

"As circunstâncias que rodeiam a renúncia do primeiro-ministro são inaceitáveis e é necessário esclarecê-las. Sua renúncia fica suspensa até que retorne ao Líbano", disse Aoun aos seus interlocutores, antes de lembrar os acordos internacionais sobre as relações entre os Estados e a imunidade que brindam aos seus membros.

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