Keiko Fujimori desmente informação de que Odebrecht financiou sua campanha

Lima, 10 nov (EFE).- A líder opositora peruana Keiko Fujimori negou nesta sexta-feira que a Odebrecht financiou sua campanha eleitoral de 2011 e afirmou que o jornal "El Comercio" está mentindo ao publicar uma declaração nesse sentido feita pelo empresário Marcelo Odebrecht a promotores peruanos.

"Hoje quero fazer um protesto porque o jornal 'El Comercio' mente em sua capa. Mente quando diz que a Odebrecht financiou a campanha de Keiko Fujimori, e se atreve a mentir porque existe um acordo de confidencialidade", declarou a líder opositora em um vídeo publicado no Facebook.

A líder do partido Fuerza Popular anunciou empreenderá uma denúncia por difamação contra o jornal pelo aparente "ataque midiático" contra ela.

"Está claro que não conheço o senhor Odebrecht. Está claro que (a Odebrecht) não financiou nossas campanhas e que (Marcelo) nunca se reuniu comigo", afirmou Keiko.

O jornal "El Comercio" publicou que Marcelo Odebrecht confirmou que sua empresa financiou as campanhas presidenciais de 2011 no Peru dos então candidatos Keiko Fujimori e Ollanta Humala, e que a sigla "AG" que aparece em uma das suas agendas se refere ao ex-presidente Alan García.

A publicação citou fontes não identificadas para detalhar as declarações dadas pelo empresário ao ser interrogado ontem em Curitiba pelos promotores José Pérez, Rafael Vela e Walter Villanueva, que atuam no ramo peruano da operação Lava Jato.

Esta informação, que é parte de uma investigação reservada, também foi divulgada hoje por outros veículos de imprensa no Peru como a revista "Hildebrandt en sus trece" e os jornais "Correo" e "La República".

Não obstante, Keiko Fujimori acrescentou que presumia que "os senhores Graña, vinculados ao jornal 'El Comercio' e que estão envolvidos na Lava Jato, ficaram preocupados com o fato de (o legislador fujimorista) Daniel Salaverry, com o apoio unânime da bancada, ter denunciado o Procurador-Geral da Nação por fazer 'vista grossa' e não investigar a (empresa) Graña y Montero, apesar do tempo transcorrido".

Segundo a versão de Marcelo Odebrecht citada pelo "El Comercio", a companhia peruana Graña y Montero, um dos consórcios selecionados para as licitações que a empresa brasileira obteve no Peru, tinha conhecimento da propina paga pela Odebrecht no Peru.

De acordo com o jornal peruano, no caso de Keiko, Marcelo Odebrecht afirmou aos promotores peruanos que "tem certeza" da entrega de dinheiro para a candidatura presidencial, mas ressaltou que o então representante da empresa no Peru, Jorge Barata, deve corroborar o valor pago.

Odebrecht acrescentou que escreveu a palavra "aumentar" porque já tinha dado dinheiro anteriormente à filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

O empresário reiterou que a Odebrecht tinha a política de apoiar os candidatos presidenciais com possibilidades de ganhar nos países onde trabalhava e que só no caso do ex-presidente Humala ordenou diretamente o pagamento para a campanha de 2011.

O jornal informou que o empresário confirmou que na anotação "Kuntur agora bom para o Peru/AG, etc", se refere ao ex-presidente Alan García e a que este "incentivou" a empresa a construir o projeto Gasoduto Sur Peruano.

No Peru, a Justiça trabalha para seguir o rastro de US$ 29 bilhões que Odebrecht admitiu ter pagado a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014 em troca da concessão de obras públicas, o que engloba os mandatos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

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