Odebrecht confirma que financiou campanhas de Ollanta Humala e Keiko Fujimori

Lima, 10 nov (EFE).- O empresário Marcelo Odebrecht confirmou que sua empresa financiou as campanhas presidenciais de 2011 no Peru dos então candidatos Keiko Fujimori e Ollanta Humala, e que a sigla "AG" que aparece em uma das suas agendas se refere ao ex-presidente Alan García, informou nesta sexta-feira o jornal "El Comercio".

A publicação citou fontes não identificadas para detalhar as declarações das pelo empresário ao ser interrogado ontem em Curitiba pelos promotores José Pérez, Rafael Vela e Walter Villanueva, que atuam no ramo peruano da operação Lava Jato.

Esta informação, que é parte de uma investigação reservada, também foi divulgada hoje por outros veículos de imprensa no Peru como a revista "Hildebrandt en sus trece" e os jornais "Correo" e "La República".

Até agora, Keiko Fujimori sempre alegou jamasi ter recebido pagamentos da Odebrecht, após veículos de imprensa peruanos terem revelado que havia uma anotação na agenda do empresário que dizia: "Aumentar Keiko para 500 e eu fazer visita".

Alan García, por sua vez, sempre negou ser o "AG" mencionado nos apontamentos do empresário.

Já Ollanta Humala está preso preventivamente enquanto é investigado junto com a esposa, Nadine Herédia, pelo suposto financiamento irregular de sua campanha.

Segundo "El Comercio", no caso de Keiko, Marcelo Odebrecht afirmou aos promotores peruanos que "tem certeza" da entrega de dinheiro para a candidatura presidencial, mas ressaltou que o então representante da empresa no Peru, Jorge Barata, deve corroborar o valor pago.

Odebrecht acrescentou que escreveu a palavra "aumentar" porque já tinha dado dinheiro anteriormente à filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Odebrecht reiterou que sua empresa tinha a política de apoiar os candidatos presidenciais com possibilidades de ganhar nos países onde trabalhava e que só no caso do ex-presidente Humala ordenou diretamente pagamento para a campanha de 2011.

O jornal informou que o empresário confirmou que na anotação "Kuntur agora bom para o Peru/AG, etc", se refere ao ex-presidente Alan García e a que este "incentivou" a empresa a construir o projeto Gasoduto Sur Peruano.

Ainda de acordo com a publicação, García teria mostrado "interesse" que a Odebrecht executasse outras obras, como a do metrô de Lima, como por fim aconteceu.

Marcelo Odebrecht também disse, segundo "El Comercio", que as empresas peruanas que trabalharam em consórcio com sua companhia nas obras no Peru "sabiam o que estavam fazendo" e que a única com a qual tinha um contato especial era Graña y Montero, a maior construtora do país.

No Peru, a justiça trabalha para seguir o rastro de US$ 29 bilhões que Odebrecht admitiu ter pagado a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014 em troca da concessão de obras públias, o que engolba os mandatos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

O vice-presidente e diretor global de Compliance da Odebrecht, Michael F. Munro, afirmou ontem à Agência Efe em Lima que revelar a "verdade total" sobre os casos de corrupção nos quais a construtora esteve envolvida é uma necessidade "essencial" para a companhia e que "não revelar tudo seria um desastre".

"E não vamos só revelar a verdade em um país e não em todos, porque a Odebrecht é uma empresa global. Se revelássemos tudo em 10 países, mas não no Peru, não faria sentido", afirmou o advogado americano.

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