Jornal peruano confirma versão de que Odebrecht financiou campanha de Keiko

Lima, 11 nov (EFE).- O jornal peruano 'El Comercio' reiterou neste sábado que o empresário Marcelo Odebrecht declarou em um interrogatório que financiou a campanha eleitoral de 2011 da líder opositora Keiko Fujimori, que acusou o jornal de mentir.

Em seu editorial deste sábado, a publicação respondeu às acusações de Keiko Fujimori, que disse que o "El Comercio" mentiu com essa versão, se aproveitando da existência de um acordo de confidencialidade, e que apresentaria um processo contra o jornal por difamação.

"Hoje quero fazer um protesto porque o jornal 'El Comercio' mente em sua capa. Mente quando diz que a Odebrecht financiou a campanha de Keiko Fujimori, e se atreve a mentir porque existe um acordo de confidencialidade", declarou a opositora ontem em um vídeo publicado no Facebook, após a notícia veiculada pelo jornal.

"Está claro que não conheço o senhor Odebrecht. Está claro que (a Odebrecht) não financiou nossas campanhas e que (Marcelo) nunca se reuniu comigo", afirmou a filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Em seu editorial, o jornal assegurou hoje que "o próprio (Marcelo) Odebrecht disse que quem conhecia os detalhes era Jorge Barata (ex-diretor da companhia no Peru), mas que ele tinha certeza que os pagamentos foram feitos".

"A líder do (partido) Fuerza Popular afirma que nossa forma de proceder obedece ao propósito de defender à empresa Graña y Montero. Isto, porque o ex-presidente da mesma, José Graña Miró Quesada, é acionista do 'El Comercio'", indicou a publicação no editorial.

No entanto, o jornal lembrou que, conforme as investigações do caso Odebrecht avançavam no Peru, publicou todas as acusações feitas contra a Graña y Montero e pediu que todas as empresas vinculadas com a construtora brasileira fossem investigadas.

O "El Comercio" chamou a atenção para o fato de que Keiko Fujimori tenha insistido em afirmar que não conhece Marcelo Odebrecht e que também não se reuniu com ele, o que não foi afirmado pelo veículo de comunicação.

"Por que refutar acusações que ninguém fez? Estaria a senhora Fujimori tentando colocar 'água na sopa' para que a manchete publicada pareça menos consistente?", afirmou a publicação.

O jornal, além disso, aderiu ao pedido da ex-candidata de tornar público tudo o que Marcelo Odebrecht disse na audiência de quinta-feira aos promotores peruanos, que o investigam por lavagem de dinheiro.

De acordo com o jornal peruano, no caso de Keiko, Marcelo Odebrecht afirmou aos promotores que "tem certeza" da entrega de dinheiro para a candidatura presidencial, mas ressaltou que o então representante da empresa no Peru, Jorge Barata, deveria corroborar o valor pago.

Odebrecht acrescentou que escreveu a palavra "aumentar" porque já tinha dado dinheiro anteriormente à filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

O empresário reiterou que a Odebrecht tinha a política de apoiar os candidatos presidenciais com possibilidades de ganhar nos países onde trabalhava e que só no caso do ex-presidente Humala ordenou diretamente o pagamento para a campanha de 2011.

O jornal informou que o empresário confirmou que na anotação "Kuntur agora bom para o Peru/AG, etc", se refere ao ex-presidente Alan García e a que este "incentivou" a empresa a construir o projeto Gasoduto Sur Peruano.

No Peru, a Justiça trabalha para seguir o rastro de US$ 29 bilhões que Odebrecht admitiu ter pagado a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014 em troca da concessão de obras públicas, o que engloba os mandatos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

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