Asean defende sua relevância em cúpula sem Xi Jinping e Vladimir Putin

Gaspar Ruiz-Canela.

Manila, 12 nov (EFE). - A Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) defenderá a sua importância nas reuniões de chefes de Estado e de governo que de hoje a terça-feira acontecerão em Manila, apesar das ausências de dois convidados: os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.

Na segunda-feira será a reunião do grupo formado por Mianmar, Brunei, Cambodja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã, e no mesmo dia estão previstos os encontros bilaterais com Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Japão, entre outros. Na terça-feira, a Asean participará do Fórum da Ásia Oriental, que inclui Austrália, Estados Unidos, Índia e Rússia, entre outros, enquanto prossegue a rodada de reuniões bilaterais.

O foco será no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aterrissou na capital filipina como parte da excursão asiática, com a qual também passou por Japão, Coreia do Sul, China e Vietnã. Rússia e China serão representadas pelos primeiros-ministros, Dmitri Medvedev e Li Keqiang.

Os testes nucleares da Coreia do Norte, o jihadismo, a crise da minoria dos rohingyas em Mianmar e as disputas soberanistas entre Pequim e vários países de Asean no Mar da China Meridional serão alguns dos assuntos tratados nas reuniões.

Hoje, na abertura do encontro, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou que nenhum país pode se dar ao "luxo" de entrar em guerra por conta das disputas pela soberania do Mar da China Meridional. Segundo ele, as guerras são "inúteis", até mesmo para países grandes como Estados Unidos, China e Rússia, e "cooperar" é a única forma de resolver conflitos.

A integração econômica do grupo, a migração, a mudança climática e a pobreza são outros temas previstos. Em 2015, os integrantes formaram a Comunidade Econômica da Asean (AEC, em inglês).

"A Asean conseguiu muito nos últimos 50 anos (...) Asean deve continuar alerta e unida para tratar das várias questões que enfrenta", indicou em comunicado o secretário-geral da formação, o vietnamita Le Luong Minh.

A associação criou a AEC como um mercado único com livre circulação de bens, capitais, serviços e pessoas qualificado, embora na atualidade ainda estejam pendentes várias resoluções para avançar para a integração efetiva.

O crescimento econômico permanece sendo o motor do grupo que salvou as diferenças ideológicas entre regimes comunistas, como os que governam Laos e Vietnã, países de maioria muçulmana, como Malásia e Indonésia, e democracias "asiáticas" como Filipinas e Cingapura.

Após meio século, a Asean se tornou uma potência econômica com um produto interno bruto conjunto de US$ 2,55 trilhões em 2016. Sob o guarda-chuva do grupo, o bloco se transformou num foco para investimento de companhias internacionais, especialmente as montadoras de automóveis, e em 2015 atraiu 7% do investimento global estrangeiro, conforme dados oficiais.

Com uma população total de 622 milhões de pessoas e sede em Jacarta, o grupo estima que crescerá em conjunto 5% este ano, que em 2020 será a quinta maior economia do mundo e a quarta maior em 2050, além de fazer parte de tratados comerciais internacionais com as principais potências. No campo econômico, um dos desafios do grupo é fechar a grande brecha de desenvolvimento que separam os membros mais desenvolvidos, como Cingapura, dos mais atrasados, como Camboja, Laos e Mianmar.

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