Premiê do Líbano afirma na A.Saudita que voltará "muito em breve" a seu país

Beirute, 12 nov (EFE).- O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, afirmou neste domingo em sua primeira entrevista após ter apresentado sua renúncia no último fim de semana em Riad, na Arábia Saudita, que sua decisão responde aos interesses do Líbano, e prometeu que voltará "muito em breve" ao país.

Em entrevista para a emissora libanesa "Al Mustaqbal" ("Futuro", em português), Hariri admitiu que apresentar sua renúncia em outro país "não é a maneira usual" de fazer isto, mas se justificou assegurando que está "tomando medidas de segurança" para se proteger, enquanto procura alertar os libaneses de que "estão em perigo".

"Estou aqui no reino livre e tenho a capacidade de deixá-lo a qualquer momento, mas não quero que minha família volte a viver o que eu vivi quando o meu pai (Rafik) foi assassinado" com um carro-bomba em Beirute em 2005, afirmou Hariri, dissipando assim as dúvidas sobre se está em Riad contra sua própria vontade.

Além disso, o premiê afirmou que é considerado indesejado pelo governo sírio, por grupos radicais islâmicos como o jihadista Estado Islâmico, e que, por isso, tinha que "criar uma rede de segurança" em torno de si.

Quanto aos perigos que o Líbano estaria correndo, Hariri garantiu que existe um plano "para colocar o Líbano nos eixos de conflito" que cercam o seu país "e por ordens iranianas".

"Não vou permitir que alguém inicie uma guerra regional contra o Líbano", reforçou o premiê, que acrescentou que a Arábia Saudita não interveio em assuntos do Líbano desde que ele chegou ao cargo no fim de 2016.

"Queremos que o interesse do Líbano e a união nacional sejam em favor dos interesses do Líbano, e não de outros interesses regionais", afirmou Hariri, ao se referir ao pacto de governo com o movimento xiita Hezbollah, que permitiu que ele fosse nomeado primeiro-ministro.

"Não sou contra o Hezbollah como partido político, mas não podemos permitir que ele sabote o Líbano", acrescentou Hariri, que destacou que o movimento apoiado pelo Irã "tem que entender que o interesse do Líbano é manter relações com todos os países" da região.

Hariri contou que disse ao governo iraniano que "não aceita a intervenção" deste país "no Líbano, nem nos países árabes".

Hariri anunciou sua renúncia em 4 de novembro na capital saudita, onde forças políticas libanesas consideram que ele está sendo mantido contra a sua vontade pelas autoridades do reino e que foi interpretado como um ataque da monarquia sunita contra o Hezbollah e, sobretudo, contra o Irã.

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