Dublin critica artista por devolver prêmio compartilhado com líder de Mianmar

Dublin, 13 nov (EFE).- A Câmara Municipal de Dublin, na Irlanda, criticou nesta segunda-feira o músico e ativista irlandês Bob Geldof por ter devolvido o prêmio "Liberdade da Cidade de Dublin" em protesto pela atuação da líder birmanesa Aung San Suu Kyi na crise envolvendo a etnia rohingya, pois ela é uma das personalidades internacionais que já foram agraciadas com essa distinção.

O prefeito da Câmara Municipal da capital irlandesa, Mícheál Mac Donncha, do partido nacionalista Sinn Féin, qualificou o anúncio de Geldof de "irônico", pois lembrou que o artista "mantém com orgulho" o título de Cavaleiro Comandante da Ordem do Império Britânico.

Segundo o prefeito, o artista "tem o direito" de devolver o prêmio "se assim quiser", mas opinou que as distinções concedidas pela coroa britânica, que dão ao agraciado o título de "Sir", são uma referência ao "passado infame" do "imperialismo britânico ao redor do mundo".

O vereador trabalhista Dermot Lacy também indicou hoje que não se opõe à decisão de Geldof, mas opinou que talvez seja uma ação para "chamar a atenção".

Lacy comentou que o prêmio "Liberdade da Cidade de Dublin" foi concedido a Aung San Suu Kyi em 1999 por seu trabalho em defesa da democracia em seu país até então, mas reconheceu que a Câmara não o daria "atualmente" porque se sente "decepcionada" com a atitude da líder birmanesa diante da crise envolvendo a etnia rohingya.

Este é o motivo que levou hoje Geldof a devolver o prêmio, pois "a associação (de Suu Kyi) com nossa cidade envergonha a todos os irlandeses", disse o fundador da organização beneficente Live Aid em comunicado.

A reticência de Suu Kyi em abordar a violência empregada pelo exército birmanês contra os rohingya, tachada pela ONU de "limpeza étnica de manual", recebeu duras críticas nas últimas semanas de líderes internacionais.

Além de Geldof, o grupo irlandês U2 pediu no sábado que Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz em 1991, adotasse uma postura mais contundente contra a violência supostamente utilizada pelas forças de segurança birmanesas.

O prêmio "Liberdade da Cidade de Dublin" é concedido desde 1876 e entre os seus agraciados figuram, além de Geldof (2005), personalidades como Barack e Michelle Obama (2017), Nelson Mandela (1988) e U2, que recebeu a distinção em 1999 junto com Suu Kyi por sua defesa da líder birmanesa.

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