Duterte diz que Trump deu a sinal verde à "guerra contra as drogas"

Atahualpa Amerise

Manila, 13 nov (EFE).- O presidente dos EUA, Donald Trump, deu nesta segunda-feira sinal verde à polêmica "guerra contra as drogas" de seu colega filipino, Rodrigo Duterte, segundo a Presidência filipina, na primeira e esperada reunião entre dos dois líderes mais polêmicos do mundo.

Duterte, declarado admirador de Trump, aproveitou o encontro em Manila para apresentar as conquistas de sua iniciativa, que já deixou mais de 7 mil mortos, segundo alguns dados, e reduziu o crime na Filipinas quase à metade em menos de um ano e meio.

O presidente americano respondeu à exposição do filipino "mostrando sua aprovação" com "assentimentos e linguagem corporal", indicou à Agência Efe o porta-voz de Duterte, Harry Roque, após a reunião a portas fechadas entre ambos líderes.

A reunião bilateral aconteceu no marco das reuniões da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), onde participam presidentes e primeiros-ministros de todo o mundo e que termina amanhã.

A primeira reunião entre Trump e Duterte, conhecidos pela personalidade explosiva e imprevisível, tinha gerado uma grande expectativa, já que várias organizações reivindicaram ao líder americano que recriminasse as violações aos direitos humanos da "guerra contra as drogas".

O líder americano, que ignorou uma pergunta dos jornalistas sobre a campanha antidroga, se limitou a declarar que mantém com seu colega filipino "uma excelente relação".

Ambos também fizeram brincadeiras e mostraram a boa sintonia entre os dois, o que contrasta com o antagonismo entre Duterte e Barack Obama, o anterior inquilino da Casa Branca.

Obama foi qualificado de "filho-da-puta" pelo líder filipino por criticar a "guerra contra as drogas".

Os presidentes dos EUA e as Filipinas também apontaram para a luta contra o terrorismo do Estado Islâmico (EI) como uma prioridade e Duterte agradeceu a Trump pela assistência dos EUA no conflito contra os jihadistas na cidade sulina de Marawi, finalizado recentemente com um balanço de mais de 1,1 mil mortos.

Jihadistas filipinos e estrangeiros ocuparam parcialmente Marawi entre 23 de maio e 23 de outubro passados.

À margem deste encontro bilateral, o presidente americano manteve uma reunião com os primeiros-ministros da Austrália, Malcolm Turnbull, e Japão, Shinzo Abe, além do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e representantes do bloco da Asean.

Trump, que encerrará amanhã nas Filipinas uma excursão asiática que o levou ao Japão, Coreia do Sul, China e Vietnã, antecipou hoje alguns detalhes sobre os avanços alcançados em matéria de comércio.

Especificamente, garantiu que em sua viagem conseguiu vendas para os EUA no valor de US$ 300 bilhões e prometeu reduzir "muito rápido e de maneira muito substancial" o déficit comercial que a primeira economia do mundo sofre com os países da Ásia Oriental.

Nas suas reuniões com líderes da Ásia e do Pacífico, Trump também está dando prioridade à segurança, em um momento de elevada tensão pelos testes de mísseis da Coreia do Norte e seus avanços no programa de armas nucleares.

A cúpula de Manila, que terminará amanhã e à qual se soma o paralelo Fórum da Ásia Oriental, inclui múltiplas reuniões bilaterais e multilaterais entre EUA, China, Coréia do Sul, Japão, Índia, União Europeia (UE), Rússia, Austrália, Nova Zelândia e ONU. EFE

aaf/ff

(foto) (vídeo)

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