Igreja panamenha diz que recebeu doações da Odebrecht antes de escândalo

Cidade do Panamá, 13 nov (EFE).- A Igreja Católica do Panamá revelou nesta segunda-feira que recebeu doações da Odebrecht antes de a empresa brasileira ser questionada judicialmente no país, e informou que o dinheiro foi usado para obras sociais.

"A Igreja serve ao povo de Deus graças à providência, que se expressa nas doações que pessoas naturais e jurídicas nos fazem", explicou hoje a Arquidiocese do Panamá em comunicado.

Na carta, a Arquidiocese também afirmou que reporta à Direção-Geral de Receitas todos os recursos que recebe.

"Damos fé que as doações recebidas pela Igreja são usadas para obras sociais em favor de crianças, órfãos, idosos, doentes, pacientes com HIV e viciados, assim como para a restauração de templos", completou a organização.

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, reconheceu na última quinta-feira que sua campanha pela vice-presidência do país, em 2009, recebeu doações da Odebrecht através de uma terceira pessoa. No entanto, ressaltou que esses repasses não constituem crime.

Varela disse em comunicado que, em 2009, a construtora brasileira não era citada em casos de corrupção e "participava ativamente como doadora em projetos culturais, sociais, jornalísticos, ecológicos, educativos, religiosos e muitos outros que foram alvo de prêmios internacionais".

O presidente fez essas declarações no mesmo dia em que um tribunal do Panamá validou um acordo entre a Promotoria e a Odebrecht. A construtora se comprometeu a pagar uma multa de US$ 220 milhões em troca do arquivamento dos casos contra ela e seus funcionários envolvidos no pagamento de propina.

No comunicado de hoje, a Arquidiocese do Panamá pediu que o país "mantenha a serenidade" e não se distraia do objetivo principal desse processo, que é "conhecer a verdade" sobre os pagamentos feitos pela empresa a representantes do governo local.

"Evitemos cair na tentação de transformar essa conjuntura em um mero fato midiático porque é muito mais do que isso, e requer dos cidadãos toda a sua atenção", disse na nota.

Um relatório do Departamento de Justiça dos EUA revelou que a Odebrecht admitiu ter pagado US$ 59 milhões em propinas no Panamá entre 2009 e 2004.

Estão sendo processadas 63 pessoas no país pelo caso Odebrecht, entre eles dois filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli.

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