Irã continua a cumprir acordo nuclear com comunidade internacional

Viena, 13 nov (EFE).- O Irã cumpriu nos últimos dois meses e meio todas as exigências do acordo nuclear pactuado com o G5+1 (França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Rússia e China) em 2015, informou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Segundo um relatório confidencial emitido em Viena, o Irã mantém seus estoques de urânio enriquecido dentro dos limites de pureza e quantidade estipulados para garantir que Teerã não desenvolva armas nucleares a curto prazo.

Do mesmo modo, as reservas iranianas de água pesada, de onde se pode extrair plutônio - outra substância com possíveis fins bélicos - estão abaixo dos limites determinados, verificaram os inspetores da AIEA.

Há um mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou abandonar o acordo nuclear com o Irã se os "defeitos" do pacto não fossem corrigidos e deu um prazo ao Congresso até 13 de dezembro para impor novas sanções a Teerã se considerar necessário.

No relatório desta segunda-feira, a AIEA afirma que os inspetores seguem tendo, como nos últimos meses, acesso a todas as instalações requeridas e aplicaram medidas eletrônicas de vigilância nos centros nucleares iranianos previstos no acordo.

Esse tratado, que entrou em vigor em janeiro de 2016, limita diversas atividades atômicas iranianas por um prazo de dez a 25 anos. Em troca, os países signatários suspenderam suas sanções comerciais, diplomáticas e nucleares contra o Irã.

Diante das pressões exercidas por Trump contra o que considera "um acordo ruim", o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, esteve na semana passada nos Estados Unidos, onde se reuniu com a embaixadora americana para as Nações Unidas, Nikki Haley.

O diretor da AIEA insistiu que os inspetores têm tudo o que precisam para vigiar o cumprimento do acordo e qualificou este tratado como " o regime mais forte de verificação nuclear". Amano também esteve em Teerã em 29 de outubro para se reunir com a cúpula iraniana e dar um novo apoio ao acordo.

Segundo os inspetores da OIEA, os depósitos de urânio enriquecido até um máximo de 3,67% - só utilizáveis para fins civis - chegavam no dia 5 de novembro a 96,7 quilos, oito quilos a mais que no final de agosto.

O relatório da AIEA indica que as autoridades iranianas mantêm paralisadas as obras em Arak, onde o Irã tinha previsto construir um reator de água pesada que poderia produzir plutônio, material utilizado em bombas nucleares.

Com 114,4 toneladas em 6 de novembro, as reservas iranianas de água pesada seguem estando abaixo das 130 toneladas, como exige o acordo.

O texto da AIEA afirma também que Teerã segue permitindo o uso de mecanismos de vigilância a distância e selos eletrônicos, assim como o trabalho dos inspetores, incluindo as visitas por surpresa às suas instalações.

O acordo visa limitar a capacidade e magnitude do programa atômico iraniano para garantir que não desenvolva armas nucleares em menos de 12 meses. Esse período daria tempo para a comunidade internacional reagir se forem detectadas atividades nucleares militares.

Apesar do persistente cumprimento do Irã, Trump considera que Teerã viola o "espírito" do acordo ao seguir adiante com testes de mísseis balísticos, o que, no entanto, não está regulado nem proibido por este tratado.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos