Raulito, o menino mexicano venerado 84 anos após sua morte

Acapulco (México), 13 nov (EFE).- Dezenas de bonecos, bichos de pelúcia e bolas, entre outros brinquedos, se acumulam sobre o túmulo de Raúl González, conhecido popularmente como Raulito, um menino mexicano que morreu aos dez meses de idade e a quem os moradores de Acapulco recorrem com fé para que ajude a realizar seus pedidos.

No Cemitério São Francisco, Raulito, falecido em 2 de fevereiro de 1933, está enterrado ao lado do irmão Elivier, que morreu cinco meses depois.

O túmulo do "menino milagroso" permaneceu durante muito tempo no esquecimento até 18 anos atrás, quando começou a ser uma referência para os habitantes locais.

"Já pedi ao menino, e tudo o que pedi ele me concedeu, e continuo pedindo", disse à Agência Efe Francisca Jaime Camacho, uma senhora de 80 anos.

Acreditando que, por ela pedir tanto, o pequeno "talvez se zangue", alegou que "é preciso ir com calma". Francisca também afirmou que não leva velas ao túmulo, porque Raulito prefere "brinquedos e carrinhos".

Segundo a crença popular, a fama do menino começou quando, há quase 20 anos, chegou ao cemitério uma mulher da Serra de Atoyac. Estava chorando e levava nos braços sua filha de quatro anos, que estava à beira da morte.

A mulher pediu a Susana Curiel, administradora do cemitério há mais de 23 anos, que lhe dissesse onde podia encontrar o túmulo de uma criança que estivesse abandonado por seus familiares. A administradora apontou para a sepultura de Raulito, muito próxima à entrada.

Durante mais de uma hora, a senhora, de joelhos, pediu pela saúde da filha, de quem os médicos tinham dito que não passaria desse dia, já que estava muito fraca pelos dois ataques cardíacos que havia sofrido.

Quando terminou suas preces, a mulher seguiu seu caminho, sem esquecer a promessa que fez no túmulo de Raulito: se sua filha se salvasse, ela retornaria para agradecer.

Não foi preciso esperar muito, já que um mês e meio depois ela voltou ao cemitério com a pequena caminhando, e também com doces, brinquedos e flores para expressar o seu agradecimento ao menino.

"Cada brinquedo que os senhores veem aqui, um ou dois brinquedos são de cada pessoa que vem fazer um pedido", comenta Susana.

O cemitério estava abandonado, mas agora "10, 15, até 20 pessoas" chegam diariamente para vê-lo e fazer seus pedidos.

Ao túmulo de Raulito, para o qual foi construída uma cobertura, se aproximam pessoas como Anselmo Venegas, que com muita fé e devoção relata o que pediu ao menino: "Que me conceda trabalho, que eu tenha ânimo para trabalhar, e depois esperemos que aconteça o que eu estou pedindo".

Venegas explica que trabalha no ramo da construção e que é a primeira vez que visita o local, mas promete que continuará "visitando cada vez mais" o menino, e oferecerá "presentinhos simples, ao alcance do bolso".

Perante o crescente número de seguidores de Raulito, o pároco Pedro Rumbo afirma que "os milagres não podem ser negados, pois sempre houve milagres", e a Bíblia está cheia deles.

"Quando alguém pede com fé e devoção e Deus ajuda, isso é muito bom; é preciso pedir a Deus com fé e devoção não só milagres, mas também favores menores", defende o pároco de Acapulco, que lembra que, "em tempos de insegurança e incerteza", deve-se recorrer à religião.

Todos os brinquedos levados durante o ano ao túmulo são depois doados às crianças mais necessitadas, já que Susana considera que Raulito gostaria que outras crianças também fossem felizes.

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