Separatistas admitem que governo catalão não estava pronto para independência

Barcelona (Espanha), 13 nov (EFE).- O Partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que fez parte do governo destituído da região, admitiu que esse Executivo "não estava preparado para tornar efetiva a declaração de independência" diante de um Estado "autoritário", em referência ao governo central, indicou nesta segunda-feira o seu porta-voz, Sergi Sabrià.

O ERC, favorito nas pesquisas para ganhar as próximas eleições regionais, fez parte do último governo da Catalunha junto com o Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCAT), através da coalizão Junts pel Si (JxSi, "Juntos pelo Sim", em tradução livre do catalão), formada com o objetivo de conseguir a independência dessa região espanhola.

O governo da coalizão JxSí propôs a lei do referendo e a de transitoriedade, destinada a articular uma hipotética república catalã, e efetuou a declaração de independência em 27 de dezembro.

Como resposta, o governo central, presidido por Mariano Rajoy, decretou a destituição do governo regional, a dissolução do parlamento catalão e a convocação de eleições regionais em 21 de dezembro.

O porta-voz do ERC denunciou hoje que o governo de Rajoy não tinha "limites para aplicar a repressão e a violência" para impedir a secessão e afirmou ter "provas claras" de que esta "repressão e violência" poderia ocorrer, mas não as especificou.

No entanto, o porta-voz explicou que o Executivo da JxSí tinha "uma linha vermelha insuperável, que era de que não haveria violência e que o processo fosse pacífico".

Os independentistas denunciaram a atuação das forças de ordem pública do Estado em 1º de outubro para tentar impedir o referendo independentista convocado pelo governo catalão, suspenso pelo Tribunal Constitucional, e puseram em interdição a atuação da Justiça contra os políticos catalães que facilitaram o processo separatista.

Sabrià corroborou a afirmação realizada ontem pela ex-conselheira de Ensino do governo catalão, Claro Ponsatí, em Bruxelas, quando afirmou que o seu gabinete não estava "suficientemente preparado" para "dar continuidade política de forma sólida" aos resultados do referendo independentista de 1º de outubro.

Por outro lado, a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, qualificou hoje o processo separatista catalão como um "negócio para alguns, os independentistas, mas uma ruína para o conjunto da Catalunha", e pediu para que ele seja "desmontado" nas eleições de 21 de dezembro.

Todos os partidos independentistas catalães devem disputar esse pleito, apesar de terem criticado em um princípio a convocação, já que esta foi realizada pelo governo central.

Sobre o cenário que o independentismo desenha para depois dessas eleições, o porta-voz republicano não detalhou se figurará ou não no programa do ERC um mandato explícito para tornar efetiva a proclamação da república na próxima legislatura.

Não obstante, o porta-voz insistiu que o seu partido não renunciará a seus princípios independentistas, mas deixou claro que "seguirá mantendo como linha vermelha a não violência".

As declarações de Sabrià acontecem no mesmo dia em que veio à tona uma entrevista que o ex-presidente Carles Puigdemont fez ao jornal belga "Le Soir" em Bruxelas, na qual ele afirma que uma solução distinta da independência é "sempre possível".

Em diversos meios de comunicação espanhóis se questionou nos últimos dias a falta de reação do governo e do parlamento da Catalunha perante a resposta do Estado central a seu desafio separatista.

No entanto, milhares de pessoas continuam mobilizadas em favor da independência, como se viu, não só no referendo de 1º de outubro, mas nas manifestações posteriores, tanto contra as medidas do governo central como contra a atuação da Justiça, que chegou a prender oito ex-membros do Executivo catalão destituído, entre eles o ex-vice-presidente Oriol Junqueras.

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