Ata da Stasi contém suposto plano da CIA para matar Lee Harvey Oswald

Berlim, 14 nov (EFE).- Uma ata da Stasi, a polícia política da República Democrática Alemã (RDA), contém o relato de um ex-espião americano detido ao entrar em território alemão que temia por sua vida após ter se negado a matar Lee Harvey Oswald, antes que este assassinasse o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy.

A ata, revelada nesta terça-feira pelo jornal "Bild", oferece detalhes de uma das teorias que circularam em torno do assassinato de Kennedy, embora aparentemente não tenha convencido à temida Stasi, que ressaltou em seu relatório as contradições do ex-espião e seu comportamento agressivo na prisão.

O ex-espião, chamado Richard Case Nagell, foi detido em 11 de junho de 1968 na fronteira da Alemanha Oriental ao tentar entrar no país em um trem procedente de Zurique.

Segundo seu relato, semanas antes do assassinato de Kennedy ele tinha descoberto os planos de Oswald e informado à CIA (agência de inteligência dos EUA) da hora e do local do atentado.

O ex-agente, que morreu em 1995 com 65 anos, de acordo com o "Bild", foi preso em Berlim por suspeita de espionagem.

"Nagell explicou que a CIA lhe encarregou em 1963 de investigar uma organização que planejava a morte do presidente dos EUA. No transcurso de sua aparentemente bem-sucedida investigação, recebeu a ordem de matar a tiros Lee Oswald antes do atentado contra Kennedy", detalha a ata da Stasi.

"Minha tarefa era eliminar Oswald e isso foi talvez um mês e meio antes do assassinato... Deveria matá-lo em setembro de 1963 e o assassinato foi em novembro de 1963", testemunhou o ex-agente perante a polícia do regime comunista.

No entanto, segundo sua versão, Nagell não queria ver-se "envolvido nessa maquinação", razão pela qual em setembro de 1963 fingiu o roubo de um banco pelo qual foi detido e julgado.

A informação que tinha sobre a morte de Kennedy representava "um perigo para a CIA", continuou, e foi preso, embora tenha sido deixado em liberdade em abril de 1968.

Segundo as atas da Stasi, Nagell queria viajar para Berlim Oriental para pedir asilo político na embaixada de Cuba por temer que a CIA acabasse com sua vida, já que cinco colegas, todos jovens que tinham trabalhado com ele, tinham morrido - um se jogou de um quarto de hotel, outro foi atropelado e três morreram de infarto.

O aparelho de segurança do regime comunista analisou todo o caso e chegou a se comunicar com a KGB soviética.

A ata da Stasi relata também a recusa do ex-espião a responder interrogatórios e como em uma noite destruiu a cela na qual estava recluso, além de agredir um guarda.

Os médicos determinaram que Nagell sofria delírios, algo que aparentemente já tinha sido diagnosticado por especialistas dos EUA, e o declarou deficiente, razão pela qual carecia de responsabilidade penal.

Nagell foi então expulso de Berlim Oriental e dali voou aos Estados Unidos.

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