Cúpula da Asean trata de economia e segurança e "esquece" direitos humanos

Gaspar Ruiz-Canela

Manila, 14 nov (EFE).- A Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e parceiros como China, Japão e Estados Unidos, entre outros, terminou nesta terça-feira em Manila com as atenções mais voltadas à economia e segurança do que aos direitos humanos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, os primeiros-ministros da China, Li Keqiang, Japão, Shinzo Abe, e da Índia, Narenda Modi, além do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, se encontram entre os líderes que participaram ontem e hoje das reuniões bilaterais e multilaterais.

Por parte da Asean, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, foi o anfitrião da cúpula que contou também com a participação dos líderes de Mianmar, Aung San Suu Kyi; Indonésia, Joko Widodo; Malásia, Najib Razak; Tailândia, Prayut Chan-ocha, e Cingapura, Lee Hsien Loong, entre outros.

Sem nenhum compromisso importante, os líderes abordaram assuntos de cooperação econômica e de segurança relacionada com as ameaças dos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

Trump, que foi embora antes de participar do fórum da Ásia Oriental nesta terça-feira, qualificou as reuniões de um "sucesso" e reiterou que o objetivo de seu Governo é estabelecer acordos bilaterais "justos e recíprocos" que reduzam o déficit comercial dos EUA.

A China advogou por impulsionar uma comunidade econômica que integre seu país, Japão, Coreia do Sul e a Asean, uma ideia que tem mais de uma década mas que, por enquanto, não passa de um projeto.

A Asean é formada por Mianmar, Brunei, Cambodja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

"Estamos vendo uma dupla imagem da recuperação da economia mundial. A globalização e o protecionismo estão em alta", afirmou Li na Asean, mais três (China, Japão e Coreia do Sul).

"Espero que através desta cúpula possamos construir o consenso e enviar um sinal positivo de que apoiamos firmemente a integração regional e avançamos para a Comunidade Econômica da Ásia Oriental para beneficiar as pessoas e países da região", acrescentou Li.

O presidente do Conselho Europeu destacou as boas relações entre a União Europeia (UE) e a Asean, e se comprometeu a estreitar a cooperação em todos os setores, especialmente em segurança.

"As ideologias terroristas se propagaram pelos continentes. Podemos diminuir esta ameaça se trabalharmos juntos, se compartilharmos informação sobre suspeitos e preocupações", afirmou Tusk durante uma reunião com Duterte, cujo país preside neste ano a Asean.

O presidente filipino defendeu um "Sudeste Asiático sem drogas" e a colaboração com a UE sob "o princípio do total respeito pela soberania e não interferência nos assuntos internos do estado".

No passado, Duterte desqualificou a UE porque ter criticado a polêmica "guerra contra as drogas" e as supostas execuções extrajudiciais cometidas na Filipinas no marco desta.

Não está previsto que a Asean faça referência oficialmente à crise rohingya em Mianmar, uma minoria muçulmana da qual mais de 600 mil dos seus membros fugiram da violência no oeste do país e foram para Bangladesh desde o final de agosto.

A líder de fato do Governo birmanês, Aung San Suu Kyi, reiterou o seu compromisso com a repatriação dos refugiados rohingyas, embora não tenha usado este termo porque seu país não os reconhece.

A ONU qualificou de "limpeza étnica" a situação dos rohingyas no estado Rakain, no oeste de Mianmar.

A Asean foi fundada em 1967 e constitui na atualidade um bloco com uma população combinada de mais de 620 milhões de pessoas.

O fórum da Ásia Oriental, que realizou sua cúpula anual em Manila hoje, inclui, além dos países da Asean, EUA, China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Rússia, Austrália e Nova Zelândia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos