Filho de Trump e Wikileaks trocaram mensagens durante campanha presidencial

Washington, 14 nov (EFE).- Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, trocou mensagens com o portal WikiLeaks durante a campanha presidencial de um ano atrás, segundo reconheceu ele mesmo nesta segunda-feira à noite.

As comunicações, através de mensagens diretas no Twitter, teriam começado semanas antes das eleições, ao mesmo tempo em que o WikiLeaks vazava documentos hackeados do Comitê Nacional Democrata.

Nas mensagens, às quais Trump quase não responde, o WikiLeaks pede ao filho do presidente que divulgue os documentos hackeados e propõe algumas ideias como não reconhecer os resultados dos pleitos no caso de vitória da democrata Hillary Clinton.

Segundo os meios de comunicação americanos, o filho de Trump teria compartilhado estas mensagens com os congressistas que averiguam a suposta ingerência russa nos pleitos, antes de torná-los públicos nesta segunda-feira através do seu perfil do Twitter.

Trump Jr., de fato, acusou "um dos comitês" do Congresso de ter "vazado" estas comunicações.

Em uma das mensagens, Trump Jr. se interessa por rumores de um novo vazamento do WikiLeaks de documentos relacionados com Hillary: "O que há por trás dos rumores sobre um vazamento nesta próxima quarta-feira? ".

A essa mensagem de 3 de outubro o WikiLeaks responde no dia 12: "Olá, Donald, que bom ver você e seu pai falando sobre nossas publicações".

Nessa mesma mensagem, o Wikileaks "aconselhava" que Trump pai incluísse em seus tweets um link para os documentos vazados do chefe de campanha de Hillary, John Podesta.

Logo depois que o filho recebesse esta mensagem, o então candidato Trump criticou a pouca repercussão em meios de comunicação americanos da "incrível informação proporcionada pelo WikiLeaks".

Dois dias depois, Trump Jr. compartilhou com seus seguidores no Twitter o link que o WikiLeaks tinha lhe proporcionado.

Durante a campanha, a equipe de Trump, incluindo seu atual vice-presidente, Mike Pence, negou qualquer contato com o WikiLeaks.

O advogado de Trump Jr., Alan Futerfas, disse ao jornal "The Washington Post" nesta segunda-feira que as mensagens do seu cliente foram "inofensivas" e motivadas pela curiosidade em saber que o seria publicado pelo WikiLeaks.

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, disse, por sua parte, "não poder confirmar" a autenticidade das mensagens já que sua organização "não guarda esses registros", mas comentou que nas conversas divulgadas por Trump Jr. "falta contexto".

Trump Jr. foi protagonista de outro escândalo maiúsculo que explodiu meses atrás, quando se soube que também durante a campanha tinha se reunido com uma advogada russa que supostamente tinha informação prejudicial contra Hillary Clinton.

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