Governo do Irã recebe críticas por problemas em ajuda a vítimas de terremoto

Artemis Razmipour e Marina Villén.

Sarpul Zahab/Teerã, 14 nov (EFE).- O governo do Irã recebeu críticas nesta terça-feira por problemas no atendimento a pessoas que ficaram desabrigadas ou sofreram outras perdas devido ao violento terremoto do último domingo, que causou 530 mortes e deixou mais de 7.800 feridos.

O presidente do país, Hassan Rohani, foi ao local da tragédia, a província de Kermanshah, para supervisionar de perto os trabalhos de resgate e visitar os feridos. Ele garantiu que o governo fará todo o possível para prestar assistência em medicamentos e produtos de primeira necessidade, assim como abrigo a quem perdeu suas residências.

"Tentaremos reparar os danos causados pelo desastre no menor tempo possível", disse o presidente, que também prometeu empréstimos às pessoas que precisarão reconstruir casas.

Várias cidades de Kermanshah, e em particular Sarpul Zahab, ficaram destruídas pelo terremoto de magnitude 7,3 na escala Richter no domingo à noite, deixando na rua dezenas de milhares de pessoas.

A situação continua crítica para os moradores dos 30 mil imóveis destruídos ou danificadas, que se preparam para passar uma terceira noite em tendas improvisadas em parques ou em acampamentos e edifícios governamentais disponibilizados pelas autoridades.

A Fundação de Habitação da Revolução Islâmica será a responsável pelo processo de reconstrução, e o Crescente Vermelho, o Exército e os Guardiães da Revolução, entre outros, fornecem tendas, cobertores e alimentos, e muitas pessoas mostraram solidariedade com doação de sangue para os feridos.

Mas mesmo a mobilização não é suficiente para atenuar o sofrimento das vítimas sobreviventes.

Perto das ruínas de sua casa em Sarpul Zahab, a dona de casa Sahar queixou-se da falta de alimentos e da atuação de muitos órgãos estatais. "Só os soldados nos ajudaram", afirmou.

Um colaborador do Crescente Vermelho, que preferiu manter o anonimato, contou à Agência Efe que "o planejamento foi muito ruim" para atender as vítimas.

O chefe dos Serviços de Emergência, Pir Hosein Kolivand, reconheceu à rede de televisão estatal que "a urgência agora é proporcionar soluções para problemas de calefação, moradia e comida".

Enquanto isso, as operações de busca e resgate nos escombros e a transferência de feridos para hospitais foram praticamente concluídas, o que permitiu a alguns moradores recolher pertences.

No entanto, nem todos tiveram a mesma sorte. Mehraban, mãe de dois filhos, disse à Efe que sua casa está destruída e que ela não pôde entrar para pegar "nem um cobertor" para se proteger das baixas temperaturas noturnas.

"Queremos que nos ajudem, mas sequer nos dão alguma coisa para comer, e nossos filhos se queixam e gritam de fome", lamentou ela, que perdeu muitos familiares e amigos no terremoto.

O número de mortes na tragédia tem aumentado com o passar das horas e o avanço das tarefas de retirada de escombros. De ontem para hoje, passou de 430 para 530.

O governo decretou luto nacional hoje em homenagem para homenagear as vítimas do terremoto, o mais grave ocorrido no Irã desde 2003, quando 31 mil pessoas morreram.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos