Kuczynski foi assessor da Odebrecht e recebeu doações em 2011, afirma portal

Lima, 14 nov (EFE).- O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, foi contratado como assessor da construtora Odebrecht, após deixar o governo de Alejandro Toledo em 2006, e aparentemente recebeu uma doação à sua campanha eleitoral em 2011, segundo revelou nesta terça-feira o portal peruano IDL Reporteros.

O portal publicou hoje uma ata extraoficial do interrogatório que procuradores peruanos realizaram com Marcelo Odebrecht na semana passada no Brasil sobre o aparente financiamento às campanhas presidenciais de Keiko Fujimori, Ollanta Humala e Alan García em 2011.

Odebrecht reiterou que sua empresa repassou US$ 500.000 à campanha de Fujimori e que os detalhes eram conhecidos pelo ex-diretor da construtora no Peru, Jorge Barata.

No entanto, o empresário preso surpreendeu os procuradores quando disse que contratou Kuczynski "para curar feridas" porque este se opôs ao projeto da estrada interoceânica quando presidiu o Conselho Diretivo de Investimento durante a gestão de Toledo (2001-2006), na qual também foi ministro de Economia e chefe do gabinete.

Fontes que presenciaram o interrogatório e foram citadas pelo diretor do IDL, Gustavo Gorriti, afirmaram que Odebrecht garantiu que o dinheiro para pagar Kuczynski veio de "caixa dois", onde estavam os fundos para financiar as campanhas políticas e pagar subornos.

Segundo o portal peruano, apenas Barata sabe o quanto foi pago a Kuczynski por esse trabalho de assessoria em temas econômicos e demais detalhes.

Finalmente, a estrada interoceânica começou a ser construída no governo de Toledo e este solicitou US$ 20 milhões para adjudicar a obra à Odebrecht, segundo o depoimento do empresário brasileiro à Justiça dos Estados Unidos.

O procurador peruano José Domingo Pérez, a cargo do interrogatório em Curitiba, perguntou a Odebrecht se a empresa apoiou com dinheiro à campanha eleitoral de 2011 de Kuczynski, na qual este ficou em terceiro lugar.

Odebrecht respondeu que "se esteve nas primeiras colocações, tenho certeza que sim", e novamente afirmou que os montantes e procedimento foram manejados por Barata.

Durante seu testemunho escrito dirigido à comissão parlamentar que investiga o escândalo da Lava Jato no Peru, o chefe de Estado peruano afirmou, há poucos dias, que não tinha relação profissional nem comercial com as construtoras brasileiras nem com suas consorciadas peruanas.

O presidente do Poder Judicial, Duberlí Rodríguez, disse hoje que, se o presidente mentiu à comissão legislativa, incorreu em uma declaração falsa em investigação administrativa.

Por outro lado, Odebrecht também confirmou, segundo a informação do IDL Reporteros, que contratou o ex-presidente Alan García para ditar conferências "porque é uma política da empresa ajudar os ex-presidentes".

Em maio deste ano, Odebrecht declarou que provavelmente também tinham repassado recursos à campanha eleitoral de García em 2011, como era costume apoiar todos os candidatos favoritos nas eleições presidenciais.

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