Liberdade na internet cai devido à manipulação de governos nas redes sociais

Cristina García Casado.

Washington, 14 nov (EFE).- A liberdade na internet caiu pelo sétimo ano consecutivo no mundo devido a um "aumento drástico" das tentativas de muitos governos de manipular a informação nas redes sociais, um fenômeno que afetou 18 eleições.

Essa é a principal conclusão do relatório anual sobre liberdade na internet da organização independente Freedom House, que foi apresentado nesta terça-feira em Washington, nos Estados Unidos.

"O uso de comentaristas pagos e robôs políticos para divulgar propaganda governamental foi iniciado pela China e pela Rússia, mas agora se tornou global", explicou o presidente da Freedom House, Michael J. Abramowitz.

"Os efeitos dessas técnicas de divulgação rápida sobre a democracia e o ativismo cívico são potencialmente devastadores", alertou o especialista.

O relatório "Liberdade na Internet 2017" avalia o período entre junho de 2016 e maio deste ano em 65 países, que reúnem 87% dos usuários da rede mundial de computadores.

"Os governos estão usando as redes sociais para reprimir a dissidência e promover uma agenda antidemocrática", indicou a diretora do projeto Freedom on the Net, Sanja Kelly.

"Não é só difícil detectar essa manipulação. É mais difícil ainda combater outros tipos de censura, como o bloqueio de sites da web, porque isso está disperso e há muitas pessoas e bots atuando nessa área", completou Kelly.

As táticas de manipulação e desinformação na internet desempenharam um papel importante nas eleições de pelo menos 18 países, incluindo os Estados Unidos.

"Isso prejudicou a capacidade dos cidadãos de escolher seus líderes sob a base de notícias objetivas e debates autênticos", indicou o relatório da Freedom House.

"A fabricação de apoio popular nas redes sociais para as políticas governamentais cria um círculo fechado, no qual esses regimes essencialmente se autorespaldam, deixando de fora grupos independentes e cidadãos comuns", disse Kelly.

A manipulação do conteúdo contribuiu para o sétimo ano consecutivo de queda geral na liberdade na rede. Outros fatores também contribuíram para a redução, como um aumento nas interrupções no sinal da internet móvel e uma alta dos ataques contra defensores dos direitos humanos e veículos independentes de imprensa.

Segundo o relatório, os governos de 30 países usaram alguma forma de manipulação para distorcer a informação na internet, sete a mais do que os 23 registrados no período anterior.

"Os comentaristas pagos, trolls, bots, sites de notícias falsos e veículos de imprensa de propaganda foram algumas das técnicas utilizadas pelos líderes para inflar seu próprio apoio popular", indica o documento da Freedom House.

A maioria dos governos direcionou o uso dessas ferramentas para dentro das próprias fronteiras, mas outros buscaram expandir seus interesses no exterior. O relatório cita como exemplo a campanha de desinformação da Rússia durante as eleições dos EUA.

Pelo terceiro ano consecutivo, a China foi o "pior abusador" da liberdade na internet do mundo, seguida de Síria e Etiópia.

Menos de 25% dos usuários de internet do mundo vivem em países onde a rede é considerada como "livre". Nos parâmetros da Freedom House são locais onde "não existem grandes obstáculos para o acesso, restrições de conteúdo ou violações graves dos direitos dos usuários, como vigilância sem controle, e repercussões injustas contra discurso legítimo".

Desde junho de 2016, 32 dos 65 países avaliados no relatório registraram uma piora na situação da liberdade na internet em relação ao relatório anterior. Os retrocessos mais notáveis foram registrados na Ucrânia, no Egito e na Turquia.

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