Milionário diz que família Netanyahu exigiu charutos e champanhe de presente

Jerusalém, 14 nov (EFE).- O empresário milionário Arnon Milchan disse em depoimento que os presentes que ele enviou ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a sua mulher Sara, não eram presentes entre amigos, mas exigências dos Netanyahu, informaram nesta terça-feira veículos da imprensa israelense.

Com o avanço das investigações do Caso 1000, relativo a presentes de pessoas poderosos dados ao casal, os depoimentos dos envolvidos indicam que os Netanyahu pediam e recebiam presentes avaliados em milhares de dólares por parte de empresários como o produtor de Hollywood Arnon Milchan e o australiano James Packer.

Netanyahu e sua mulher insistiram em diversas ocasiões que se tratavam de presentes "entre amigos", mas o depoimento de Milchan aos investigadores em Londres, que vazou hoje para a imprensa israelense, indica outro tipo de relação.

"Dei carta branca (a meus empregados) para dar a Bibi e Sara o que eles quisessem", declarou Milchan aos investigadores, segundo publicou o jornal "Yedioth Ahronot".

O depoimento de Milchan acabou sendo reforçado pelo testemunho de Hadas Klein, que foi assistente pessoal tanto de Milchan como de Packer, e era a encarregada de enviar os produtos à residência do primeiro-ministro.

"A compra do champanhe não era feita a pedido de Milchan ou Packer, sempre foi uma iniciativa dos Netanyahu. Sara pedia garrafas, (...) seis ou 12 garrafas de champanhe. Bibi (Benjamin) pedia charutos e conhecia as quantidades de champanhe que sua mulher recebia. O motorista da empresa fazia viagens especiais a Jerusalém para levar os charutos e o champanhe", revelou Hadas Klein em seu depoimento, que foi difundido ontem à noite pelo "Canal 2" da TV israelense.

Na semana passada o advogado de Netanyahu, Jacob Weinroth, confirmou que tinha dado autorização a Sara para receber joias de Milchan como presente e que ela tinha exigido que o empresário que completasse um set do qual recebeu apenas uma peça.

A secretária Klein deu detalhes da complicada relação: "Sara tinha medo de ser gravada. Cada vez que queria pedir algo, pedia para que eu falasse por um telefone fixo ou a encontrasse pessoalmente. Em diversas ocasiões, ela gritou para mim por causa dos presentes".

Hadas Klein acrescentou que Milchan e Packer dividiam o custo dos presentes e que não o faziam esperando algo específico em troca, uma questão-chave no caso.

Se os investigadores provarem que Netanyahu promoveu os interesses dos empresários em troca de presentes, o premiê poderia ser processado por fraude, aceitação de suborno e quebra de confiança.

Questionado pela Agência Efe, o escritório do primeiro-ministro se recusou a comentar as informações.

"A praga das notícias falsas contínuas (...). O que se atribui ao primeiro-ministro e a sua mulher não é certo. Eles agiram de acordo com a lei, por isso não haverá nada", afirmou o chefe de governo em seu perfil no Facebook, em mensagem na qual acrescentou que sua família "não tem intenção de comentar os detalhes sobre informações falsas".

Por outro lado, o Ministério Público israelense anunciou ontem à noite que chamará Sara Netanyahu em janeiro para uma audiência no caso que analisa as despesas da residência oficial e a Autoridade de Valores de Israel pediu ao Supremo Tribunal que exija explicações do procurador-geral do país sobre os motivos de não investigar Netanyahu no caso de uma possível fraude na companhia tecnológica israelense Bezeq, informou hoje o site do jornal "Times of Israel". EFE

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