Relatório detecta aumento da manipulação governamental em redes sociais

Washington, 14 nov (EFE).- Muitos governos de todo o mundo aumentaram "drasticamente" suas tentativas de manipular a informação nas redes sociais, o que contribuiu para que este seja o sétimo ano consecutivo de declive geral da liberdade na internet, segundo a organização Freedom House, que publicou nesta terça-feira seu relatório anual.

As táticas de manipulação e desinformação na internet desempenharam um papel importante nas eleições de pelo menos 18 países, incluindo os Estados Unidos, "o que prejudicou a capacidade dos cidadãos de escolher seus líderes sobre a base de notícias objetivas e debates autênticos", indica o documento, antecipado à imprensa.

O relatório "Liberdade na Internet 2017", que será apresentado esta terça-feira em Washington, se centra no período que vai entre junho de 2016 e maio deste ano e avalia a situação em 65 países, que somam 87% dos usuários de internet no mundo.

"A manipulação do conteúdo online contribuiu para um sétimo ano consecutivo de diminuição geral da liberdade na internet, junto a um aumento das interrupções do serviço de internet móvel e um aumento dos ataques físicos e técnicos contra os defensores de direitos humanos e meios de comunicação independentes", ressalta o relatório.

Os governos de um total de 30 países desdobraram "alguma forma de manipulação" para distorcer a informação na internet, sete a mais que os 23 do período anterior.

"Os comentaristas pagos, trolls, bots, sites de notícias falsas e veículos de propaganda foram algumas das técnicas utilizadas pelos líderes para inflar seu apoio popular", indica o documento.

A maioria dos governos se focou na opinião pública dentro das suas próprias fronteiras, mas outros "buscaram expandir seus interesses no exterior, exemplificado por uma campanha de desinformação russa para influenciar as eleições americanas".

Pelo terceiro ano consecutivo, a China foi "o pior abusador" da liberdade na internet no mundo, seguida pela Síria e a Etiópia.

Menos de um quarto dos usuários de internet do mundo vive em países onde a rede se designa como "livre", o que, segundo os parâmetros da Freedom House, significa que "não existem grandes obstáculos para o acesso, restrições onerosas de conteúdo ou violações graves dos direitos dos usuários como vigilância sem controle ou repercussões injustas pelo discurso legítimo".

Desde junho de 2016, 32 dos 65 países avaliados no relatório viram sua situação se deteriorar e os retrocessos mais notáveis foram registrados em Ucrânia, Egito e Turquia.

Entre os países da América Latina, o relatório destaca o retrocesso na Venezuela, no México e no Equador.

A internet na Venezuela passou a ser declarada "não livre" no relatório porque diminuiu o acesso, aumentou a censura e houve bloqueios e ataques técnicos contra meios de comunicação e ONGs.

No México são denunciadas "práticas de vigilância ilegal" registradas nas investigações que revelaram "que o spyware do governo atacava de maneira abusiva às pessoas envolvidas na investigação da corrupção e dos abusos contra os direitos humanos".

Sobre o Equador, o documento assinala que, durante a campanha eleitoral presidencial, foram pirateadas contas de redes sociais de políticos, jornalistas e ativistas "da oposição" para "divulgar desinformação".

A Freedom House é uma organização independente com sede em Washington que se dedica ao acompanhamento do estado da liberdade, da democracia e dos direitos humanos no mundo.

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