Técnico de informática que emprestou arma a Nisman depõe à Justiça argentina

Buenos Aires, 14 nov (EFE).- O técnico de informática Diego Lagomarsino, que colaborava com o promotor argentino Alberto Nisman e lhe emprestou a arma da qual saiu o disparo que o matou, compareceu nesta terça-feira a um tribunal federal em Buenos Aires para prestar depoimento por sua suposta responsabilidade na morte, que está sendo investigada como homicídio.

Lagomarsino se apresentou esta manhã diante do juiz federal Julián Ercolini, depois que a Justiça determinou na semana passada que o ocorrido foi um homicídio e não uma "morte duvidosa", como era considerada até agora, e apontou o técnico como suspeito.

Concretamente, o magistrado pediu o comparecimento de Lagomarsino após um pedido do promotor Eduardo Taiano, que afirmou em uma sentença que a morte de Nisman foi "provocada, ao menos, por uma pessoa" em 18 de janeiro de 2015, quando o promotor foi encontrado com um disparo na cabeça em sua casa em Buenos Aires, quatro dias depois de acusar a então presidente, Cristina Kirchner, de acobertar terroristas iranianos.

Nesse sentido, o promotor solicitou ao magistrado que o caso fosse denominado como "homicídio" e que o técnico de informática de Nisman fosse intimado a prestar depoimento como "partícipe primário do homicídio", por ter emprestado a arma com a qual se consumou o crime por autores que ainda não foram identificados.

Ercolini aceitou o pedido e também intimou para prestarem depoimento quatro agentes da Polícia Federal, que eram responsáveis pela segurança de Nisman, por descumprimento de seus deveres ao não terem protegido o promotor devidamente.

Por enquanto, Ercolini não ordenou nenhuma detenção, mas pediu que Lagomarsino - que está proibido de sair do país desde 2015 - tenha seus movimentos controlados com o uso de tornozeleira eletrônica.

O caso ganhou novo capítulo depois que a Gendarmaria apresentou um relatório, elaborado por especialistas e peritos a pedido de Taiano, que sugere que duas pessoas agrediram Nisman, o drogaram e o assassinaram dentro de sua casa, simulando um suicídio, o que confirma, segundo a Justiça, a hipótese de que o promotor foi assassinado.

Com base nesse documento, Taiano presumiu que uma das pessoas envolvidas no crime manipulou a arma e a outra a ajudou e manipulou o corpo da vítima, que deveria comparecer ao Congresso para detalhar a denúncia contra a ex-presidente.

Em sua acusação, Nisman acreditava que a assinatura de um memorando de entendimento entre Argentina e Irã em 2013, que buscava uma colaboração para esclarecer o ataque à associação mutual judaica Amia em Buenos Aires em 1994, que deixou 85 mortos e também segue impune, representa na realidade um pacto para acobertar os supostos terroristas a fim de favorecer o intercâmbio comercial, algo que a ex-governante sempre negou.

Em 2015, Lagomarsino foi acusado de emprestar a Nisman a arma que acabou com sua vida, o que o técnico de informática garante que foi um pedido do próprio promotor para proteger suas filhas.

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