Militares detêm 3 ministros no Zimbábue

(Atualiza com duas novas detenções).

Harare, 15 nov (EFE).- Três ministros do governo do Zimbabué foram detidos nesta quarta-feira pelos militares que tomaram as ruas da capital Harare, segundo informou o jornal independente "NewsDay".

Após incursões militares em suas residências, os soldados detiveram o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, o titular de Educação Superior, Jonathan Moyo, e o de Governo Local, Obras Públicas e Habitação, Saviour Kasukuwere, que também é comissário político em nível nacional do partido União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (ZANU-PF).

Os três fariam parte do chamado grupo G40, uma facção do partido que, segundo os analistas, pretende expulsar os veteranos da guerra de independência - como o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, destituído na semana passada - para abrir o caminho da primeira-dama, Grace Mugabe, ao poder.

O "NewsDay" aponta que Moyo pode ser o cérebro deste grupo, um dos vários em que se dividiu a ZANU-PF para organizar a sucessão do presidente Robert Mugabe, de 93 anos e no poder desde 1987.

Este mesmo jornal informou de duas detenções adicionais: a do subdiretor dos serviços de inteligência do país (CIO), Albert Ngulube, e a do presidente da juventude do ZANU-PF, Kudzai Chipanga, que declarou ontem à imprensa que estava disposto a morrer para defender Mugabe e a rejeitar qualquer interferência militar.

Além disso, o portal "Bulawayo24" indicou que o diretor da polícia, o comissário-geral Augustine Chihuri, também poderia ter sido detido pelos militares.

A tensão no Zimbábue começou a aumentar na tarde de ontem, depois que vários tanques foram vistos em direção a Harare, apenas um dia depois que o chefe das Forças Armadas, Constantine Chiwenga, advertisse que "medidas corretivas" seriam tomadas se prosseguisse o expurgo de veteranos no partido do presidente.

A ZANU-PF respondeu afirmando que as palavras de Chiwenga sugeriam uma "conduta de traição" destinada a "incitar a insurreição e o desafio violento da ordem constitucional".

Como pano de fundo destas acusações se encontra a destituição de Mnangagwa em meio a um expurgo no seio do partido, que estaria dirigido por Grace Mugabe.

Mnangagwa fugiu para a África do Sul e, em comunicado, sustentou: "Em breve controlaremos as molas do poder nos nossos belos partido e país".

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