Mugabe se prepara para renunciar e busca saída para sua esposa, diz emissora

Harare, 15 nov (EFE).- O presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, está preparando sua renúncia enquanto negocia para que sua mulher, Grace, saia do país, perante a intervenção militar que alimenta os rumores sobre um possível golpe de Estado, informou nesta quarta-feira a emissora de televisão sul-africana "News24".

Segundo o canal, que antecipa que amanhã à tarde será feito um anúncio a respeito, o exército mantém a família presidencial e toda sua guarda sob sua custódia.

Os rumores sobre o paradeiro de Mugabe e o seu futuro dispararam nas últimas horas, depois que ontem à tarde vários tanques foram vistos se dirigindo à capital do país, Harare.

Este movimento das forças armadas aconteceu apenas um dia depois que o chefe das Forças Armadas, Constantine Chiwenga, advertisse que "medidas corretivas" seriam tomadas se prosseguisse o expurgo de veteranos no partido de Mugabe, de 93 anos e no poder desde 1980.

Por enquanto, alguns meios de comunicação afirmam que Mugabe e sua família se encontram sob prisão domiciliar, enquanto outras informações indicam que teria fugido do país.

Estas especulações contrastam com o silêncio do principal jornal do regime, que se limitou a destacar que o comunicado lido por um porta-voz militar ontem à noite na televisão pública - controlada agora pelo exército - descarta uma "tomada militar" do governo e assegura que Mugabe se encontra "a salvo".

Enquanto isso, o jornal independente "NewsDay" informou hoje da detenção de três ministros que estariam por trás da facção do partido governante que defende a expulsão de veteranos da guerra de independência para abrir caminho a uma eventual substituição no poder a favor da primeira-dama, Grace Mugabe.

Além disso, o presidente da juventude do partido de Mugabe, a União Nacional Africana de Zimbabué-Frente Patriótica (ZANU-PF) e o número dois dos serviços de inteligência também foram detidos, enquanto outras informações asseguram que o diretor da polícia também poderia ter sido preso pelos militares.

No centro da tensão se encontra a destituição na semana passada do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que também se postulava como sucessor de Mugabe, e que fugiu à África do Sul, de onde emitiu um comunicado no qual sustentava que "em breve controlaremos as molas do poder nos nossos belos partido e país".

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