Dinheiro da Odebrecht chegou a partido do presidente do Panamá, diz relatório

Cidade do Panamá, 16 nov (EFE).- Milhões de dólares da construtora Odebrecht chegaram aos partidos Panameñista (PPa), do atual presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, e Mudança Democrática (CD), do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), segundo um relatório policial divulgado nesta quinta-feira pela imprensa local.

O documento, da Direção de Pesquisa Judicial (DIJ) da Polícia Nacional (PN), foi entregue em 1º de setembro à Procuradoria Especial Anticorrupção, que atua no caso de corrupção envolvendo a Odebrecht no país centro-americano, informou o jornal "La Prensa".

"O Partido Panameñista recebeu da Odebrecht US$ 10 milhões", diz a publicação, que aponta o ex-cônsul panamenho na Coreia do Sul Jaime Lasso como um agente com grande peso na relação entre o partido e a maior empresa prestadora de serviços no país.

De acordo com o jornal, Lasso utilizava sua proximidade com a direção do partido, incluindo José Luis Varela, atual presidente da legenda e irmão do presidente do Panamá, para que a construtora tivesse "tratamento preferencial", inclusive na resolução de "problemas relacionados com os contratos".

"Com o apoio que Lasso estava dando, a empresa (Odebrecht) negociou o pagamento de montantes nos anos de 2009 e 2010, pagamentos que foram feitos até 2014 e alcançaram um total de US$ 10 milhões a favor das empresas indicadas por Jaime Lasso", afirma o "La Prensa".

Lasso admitiu em setembro à Procuradoria anticorrupção que em 2009 deu à campanha do Partido Panameñista US$ 700 mil procedentes da construtora, e que essa verba "foi reportada para a candidatura do vice-presidente de 2009", que era Varela.

Lasso e os US$ 700 mil foram citados no último dia 9 durante uma audiência na qual um juiz validou um acordo de leniência entre a Procuradoria e a Odebrecht, que prevê que a construtora pagará em um prazo de 12 anos uma multa de US$ 220 milhões em troca do arquivamento dos casos contra ela no país.

José Carlos Varela reconheceu naquele mesmo dia que sua campanha à vice-presidência em 2009 recebeu contribuições indiretas da Odebrecht, através de uma terceira pessoa, e voltou a ressaltar que as doações políticas "não são subornos", nem representam um crime.

Na audiência, a procuradora anticorrupção, Zuleyka Moore, revelou que André Rabello, ex-diretor da Odebrecht no país, confessou ter pagado mais de US$ 80 milhões a funcionários públicos e outros cidadãos panamenhos, o que foi ratificado pelo brasileiro, que participou da diligência pela internet.

A companhia pagou durante o governo de Martinelli um total de US$ 55,8 milhões a dois de seus filhos, Luis Enrique e Ricardo Alberto, cujo paradeiro é desconhecido e que têm contra eles uma ordem internacional de prisão.

Rabello acusou também os ex-ministros Frank de Lima, Demetrio Papadimitriu e Jaime Ford - todos da gestão Martinelli - de terem recebido, respectivamente US$ 7 milhões, US$ 4 milhões, e US$ 1,8 milhão.

O ex-candidato presidencial do Mudança Democrática em 2014 José Domingo Arias recebeu US$ 10 milhões, ainda de acordo com as revelações de Rabello.

Todos esses nomes, e outros que também foram citados na audiência judicial aparecem no relatório da DIJ, segundo o jornal panamenho, que diz que Arias, que negou ter recebido a quantia, "é relacionado a duas empresas e com pagamentos provenientes do setor de Operações Estruturadas", pelo qual a Odebrecht fazia os pagamentos ilegais. EFE

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