Irmão do presidente do Panamá nega ter sido lobista da Odebrecht

Cidade do Panamá, 16 nov (EFE).- José Luis Varela, deputado e irmão do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, negou nesta quinta-feira ter atuado como lobista da Odebrecht, depois de um relatório policial ter indicado que ele se ofereceu para ajudar a construtora brasileira em diferentes projetos no país.

Em comunicado, Varela admitiu que conhecia André Rabello, ex-diretor da Odebrecht no Panamá, mas garantiu que nunca conversou com ele sobre licitações públicas, preços, folhas de encargos ou temas administrativos dos ministérios do governo de seu irmão.

"No Panamá, a grande maioria das empresas tem um lobista. Em algumas ocasiões, pedem a eles reuniões com deputados para explicar seus projetos, sua visão de país e inclusive pedem apoio aos parlamentares, tudo isso dentro do marco da lei", disse o deputado, que é presidente do Partido Panameñista (PPa), o mesmo do irmão.

O jornal panamenho "La Prensa" publicou hoje um documento enviado pela Direção de Investigação Judicial da Polícia à Promotoria. O relatório detalha que tanto o Ppa como o Partido Mudança Democrática (CD), do ex-presidente Ricardo Martinelli, receberam milhões de dólares da construtora brasileira.

"O Partido Panameñista recebeu da Odebrecht US$ 10 milhões", afirmou o jornal, que destaca que Jaime Lasso, ex-cônsul do país na Coreia do Sul, teve um papel fundamental na relação entre o partido governista e a construtora.

Segundo o "La Prensa", Lasso usava sua proximidade com importantes membros do PPa, como o irmão do presidente, para que a construtora recebesse um "tratamento especial" e para que tivesse "problemas relacionados com contratos" resolvidos.

"A Constuitição e a lei não me permitem tramitar negócios com o Estado em nível pessoal nem através de intermediários", afirmou o deputado no comunicado publicado hoje.

O presidente do Panamá está em Pequim, acompanhado pelo o irmão na condição de parlamentar, em sua primeira visita à China.

Luís Varela afirmou, além disso, que está à disposição da Justiça para esclarecer o assunto. Na nota, ele também expressou apoio às investigações em andamento no país.

"Tenho certeza de que, no final, vamos diferenciar entre os que descaradamente desviaram dezenas de milhões de dólares (...) dos que receberam apoio político para derrubar o governo mais corrupto que esse país teve na história", afirmou o deputado, em referência a Martinelli, sucessor de seu irmão na presidência.

Lasso já tinha sido citado no último dia 9 de novembro durante uma audiência realizada no Panamá. A promotora anticorrupção Zuleyka Moore afirmou que Rabello confessou ter pagado mais de US$ 80 milhões para membros do governo e representantes da iniciativa privada no Panamá.

Rabello disse que Lasso recebeu US$ 700 mil da Odebrecht e doou ao Partido Panameñista para a campanha de 2009 de Varela, que na época era candidato à vice-presidência.

Varela reconheceu no mesmo dia que recebeu, por meio de uma terceira pessoa, doações indiretas da Odebrecht para essa campanha. No entanto, votou a ressaltar que as doações políticas não são subornos nem constituem crime no Panamá.

Na audiência, a Promotoria indicou que Rabello confessou que a Odebrecht pagou US$ 55.8 milhões para dois dos filhos de Martinelli, Luis Enrique e Ricardo Alberto, contra quem há ordens de prisão internacional. Ambos estão foragidos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos