Puigdemont e ex-conselheiros passam dias entre estratégias legais e políticas

Lara Malvesí.

Bruxelas, 16 nov (EFE).- O ex-presidente da Generalitat da Catalunha Carles Puigdemont e os quatro ex-conselheiros vivem nos arredores de Bruxelas, embora nem todos juntos, e dedicam seu tempo a estudar suas estratégias tantos legais, para evitar serem extraditados para a Espanha, como políticas, em relação às eleições de 21 de dezembro.

Puigdemont, bem como Lluís Puig (Cultura), Clara Ponsatí (Ensino), Meritxell Serret (Agricultura) e Toni Comín (Saúde), que comparecerão nesta sexta-feira diante de um juiz, enfrentam "com confiança" e "serenidade" o depoimento na Justiça mais importante até à data, disseram à Agência Efe fontes próximas ao ex-presidente.

Quase 20 dias depois do seu surpreendente aparecimento em Bruxelas, Puigdemont e os ex-conselheiros desfrutam da liberdade condicionada outorgada pelo juiz de instrução belga, e utilizam essa discricionariedade de movimento e atividade para manter reuniões jurídicas com seus advogados, bem como para receber a visita de outros políticos catalães em pleno período pré-eleitoral.

Mas também já receberam algumas visitas de familiares, que em alguns casos "aproveitaram para trazer-lhes roupas e utensílios", pois no dia que viajaram para a Bélgica o fizeram "com pouca bagagem".

Desde o começo, Puigdemont teve dificuldades para acontecer despercebido na capital belga, visto que a sua imagem aparece constantemente na imprensa e na televisão, mas por outro lado os ex-conselheiros têm mais facilidade para viver anonimamente.

"Podem pegar metrô, ir a restaurantes ou tomar um café como qualquer um, e se alguma vez são reconhecidos é algum catalão em Bruxelas que só quer cumprimentá-los, explicaram as fontes.

Continua o mistério de seus endereços, embora fontes próximas tenham informado que estão hospedados nos arredores de Bruxelas, entre o centro e o aeroporto, um local que facilita as reuniões com quem utiliza a nova "ponte aérea" política estabelecida entre Barcelona e a capital do bloco de países europeus.

Embora no início dormissem em hotéis, agora, explicam as fontes, eles têm "residências mais estáveis" e negam que vivam todos juntos: "cada um tem seu espaço".

Parte do mérito do desconhecimento da sua localização exata está na proteção e apoio policial das autoridades belgas, uma medida aprovada pelo juiz de instrução que a Efe ficou sabendo de fontes da Promotoria.

Nos dias anteriores à audiência, as autoridades catalãs se dedicam a, além dos encontros e telefonemas para seus advogados, aproveitar a exposição na mídia em Bruxelas para falar com diferentes meios de comunicação, e com políticos europeus que abertamente ou em privado estão interessados e preocupados com o que acontece na Catalunha.

Nos últimos dias, coincidindo com a data limite para apresentar na Justiça eleitoral informação de coligações e listas, Puigdemont recebeu a visita dos líderes da CUP, ERC e PDeCAT, encontros que divulgaram através das redes sociais, embora o ex-presidente não tenha conseguido concretizar seu desejo de uma lista unitária.

Além dessas visitas, que acontecem em lugares diferentes de suas residências, eles também conversam através do Skype.

Embora não vivam no mesmo local, os ex-dirigentes catalães "tocam a vida juntos" e foram várias vezes jantar em grupo em restaurantes cujos nomes não querem revelar para evitar a imprensa.

Apesar de pertencer a partidos políticos que serão rivais nas eleições, por enquanto "estão muito unidos". "É preciso entender também o momento. Estão longe das suas famílias e numa mesma situação, que é difícil", acrescentaram.

Apesar da sua vida discreta, os cinco procuraram estar presentes em todos os eventos nos quais podiam receber o apoio direto da comunidade independentista de Bruxelas.

Nestes encontros com os simpatizantes do independência, nos quais lhes passam a mensagem de que eles são ainda o Governo legítimo catalão, é habitual que tirem fotos e deem abraços, com os quais os ex-dirigentes sempre concordam.

O apoio, no entanto, é dado majoritariamente pelas redes sociais, nas quais se mantêm especialmente ativos, começando pelo próprio Puigdemont, que encontrou no Twitter um instrumento de comunicação para resistir à distância do seu eleitorado.

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