Apesar de novas regras, eleição no Chile pode ter vitória de velho conhecido

Manuel Fuentes.

Santiago, 17 nov (EFE).- Com novas regras aprovadas há dois anos, o Chile vai às urnas neste domingo com o ex-presidente Sebastián Piñera, líder da aliança de direita Chile Vamos, como franco favorito a suceder pela segunda vez na história a atual presidente, Michelle Bachelet.

O pleito representa o fim do sistema binominal, que foi substituído pelo proporcional direto. Isso também significou um aumento do número de parlamentares na Câmara dos Deputados, de 120 para 155, e no Senado, de 38 para 50. No entanto, os chilenos renovarão apenas metade dos senadores nesta eleição.

A votação também servirá para escolher os 278 membros dos 15 conselhos regionais. Há ainda outro favor inédito: é a primeira vez que o bloco de centro-esquerda entra na disputa eleitoral dividido desde o fim da ditadura no Chile.

O pleito também será o primeiro de voto voluntário, uma mudança que já tinha sido aplicada nas eleições municipais de 2015, que registraram uma abstenção de 65%.

A mudança da legislação também afetou o financiamento das campanhas. Além de determinar um limite para as despesas, as novas regras excluíram também as doações de empresas para candidatos. As chapas também devem ter, obrigatoriamente, 40% de mulheres.

Outra novidade é que os cerca de 40 mil chilenos que vivem em 59 países do mundo poderão votar na eleição presidencial.

Líder de uma aliança que reúne partidos de direita e centro-direita, Piñera está na frente nas pesquisas, que apontam que ele deve vencer no primeiro turno com uma vantagem grande o suficiente para evitar o segundo turno, marcado para 17 de dezembro.

Caso ganhe, o candidato do Chile Vamos seria protagonista de uma sequência curiosa. Piñera governou o Chile entre 2010 e 2014, sendo antecedido e sucedido pela própria Bachelet, a quem pode voltar a substituir na presidência dependendo do resultados das urnas.

A volta de Piñera seria mais um golpe no domínio da esquerda na América do Sul, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no Brasil e da vitória de Mauricio Macri na Argentina em 2015.

A esperança dos adversários mais progressistas que Piñera é que o empresário tenha que enfrentar no segundo turno um nome capaz de reunir eleitores de um amplo espectro político, que vai desde a Democracia Cristã até à Frente Ampla, uma coalizão de esquerda que questiona as bases do atual sistema implementado no país.

Essa tarefa, no entanto, parece muito difícil se considerado as diferenças existentes na oposição a Piñera hoje.

Um dos expoentes dessa divisão é a determinação da Democracia Cristã de disputar o pleito com candidatura própria, no caso com a senadora Carolina Goic.

A decisão, que causou polêmica no partido, representou a ruptura da coalizão governista Nova Maioria, um conglomerado de forças políticas que se uniram para apoiar Bachelet em 2013.

Os democrata-cristãos também apresentaram uma lista parlamentar em separado, o que a agrava a cisão entre a aliança entre centro e esquerda que propiciou o fim da ditadura de Augusto Pinochet.

Sem contar com o mesmo apoio recebido por Bachelet, o senador independente Alejandro Guillier desponta como favorito para enfrentar Piñera em um eventual segundo turno.

Conhecido jornalista de rádio e televisão, Guillier recebeu o apoio de seis partidos da Nova Maioria, após um polêmico processo de escolha que afastou as candidaturas do ex-presidente Ricardo Lagos e do ex-secretário-geral da OEA José Miguel Insulza.

No terceiro lugar das pesquisas está a também jornalista Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, que chegou a duelar com Guillier pela segunda posição. No entanto, ela perdeu espaço nas últimas semanas.

Em caso de segundo turno, a Frente Ampla pode ser decisiva na hora de formar um bloco progressista.

Além de Sánchez, outros três candidatos da esquerda disputam as eleições: o progressista Marco Enríquez-Ominanmi, o senador Alejandro Navarro e o professor Eduardo Artés.

Já Piñera tem um único adversário pelos votos dos mais conservadores, o ex-deputado José Antonio Kast.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos