Democrata cristã que divide governistas tenta ir ao 2º turno no Chile

Valentina Bastías Atias.

Santiago, 17 nov (EFE).- A senadora Carolina Goic, atual presidente do Partido Democrata Cristão (DC), quebrou a coesão do bloco progressista de quase três décadas com sua pretensão de concorrer à presidência do Chile.

Apesar de nas pesquisas ela ter 5% de intenção de votos, Goic garante que sairá vitoriosa no pleito do próximo domingo e que enfrentará no segundo turno, em 17 de dezembro, o ex-governante Sebastián Piñera.

Aos 44 anos, a senadora é uma das duas mulheres na corrida para o Palácio de la Moneda do total de candidatos a suceder Michelle Bachellet em 1º de março do próximo ano.

Casada, com duas filhas e uma trajetória ligada ao social em Magallanes, a região mais ao sul do Chile, Goic protagoniza um novo e agitado capítulo no cenário político do país ao pôr em xeque a unidade da coalizão de centro-esquerda, Nova Maioria, atualmente no poder.

Depois que a base governista proclamou em janeiro como seu candidato o senador independente Alejandro Guillier, os democratas-cristãos descontentes apresentaram pela primeira vez em 28 anos uma carta própria, o que derivou em uma crise que o governo tentou aplacar em vão.

Goic ressaltou que a liderança do país "não estava em seus planos", mas se postulou como a opção mais competitiva de seu partido e, ao contrário de outras legendas de esquerda e direita, que realizaram eleições primárias, não passou por um processo seletivo para concorrer.

Isso dividiu definitivamente as águas na aliança de centro-esquerda, formada até então por sete partidos.

A dirigente democrata-cristã declarou então que se sentia "com mais força e convicção do que nunca" em relação ao pleito, no qual medirá forças especialmente com Sebastián Piñera, Alejandro Guillier e Beatriz Sánchez, que estão à sua frente nas pesquisas.

Goic tentou mostrar força para o eleitorado em todo este tempo, como quando vetou a nova candidatura ao Parlamento de um influente democrata-cristão, o deputado Ricardo Rincón, acusado de agredir a esposa.

A decisão, rejeitada por líderes do partido, desencadeou um redemoinho político, mas a colocou no centro do debate eleitoral, repleto de denúncias de falta de honestidade nos comandos.

Com uma carreira delicada à mulher, aos direitos trabalhistas e à descentralização dos poderes, entre outras pautas, Goic pavimentou o caminho para as eleições presidenciais em 2016 ao pedir perdão pelos escândalos de corrupção na política, em um discurso durante o funeral do ex-presidente democrata-cristão Patricio Aylwin.

Segundo analistas políticos, o "inegável" carisma foi sua carta de apresentação aos eleitores, mas isso não anula a firmeza com a qual defende as convicções democratas-cristãs, bastante surradas nos últimos meses.

Neta de imigrantes croatas e filha de perseguidos políticos, depois do golpe militar de 1973 Goic se exilou com os pais em El Salvador, Equador e Guatemala, voltando ao Chile para concluir os estudos em 1986.

Ao contrário do tradicionalismo democrata-cristão e da sua formação católica, a candidata defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os direitos das pessoas trans e a lei de aborto promulgada meses atrás, que o despenaliza em caso de estupro, inviabilidade do feto ou risco de morte para a mãe.

A senadora liderou ainda uma ferrenha campanha contra o governo venezuelano de Nicolás Maduro, a quem rotulou como ditador.

Goic enfatizou que sua proposta "aglutina as forças de centro e de centro-esquerda".

Depois de lidar com a morte do pai, um histórico membro do Partido Democrata Cristão, em 2000, e um câncer linfático que ela mesma sofreu em 2012, Goic refuta a vantagem dos adversários nas pesquisas e afirma que sua candidatura "não é contra a máquina de calcular".

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