Embaixadas estrangeiras na RDC denunciam ameaças a manifestantes opositores

Kinshasa, 17 nov (EFE).- As embaixadas da União Europeia (UE), Estados Unidos, Suíça e Canadá na República Democrática do Congo (RDC) denunciaram nesta sexta-feira as ameaças feitas por políticos do Governo e policiais contra os seguidores da oposição que protestam contra o atraso definitivo das eleições.

Em comunicado conjunto, as delegações mostram a "profunda preocupação com as recentes declarações atribuídas a vários policiais e governadores provinciais congoleses sobre a brusca interrupção dos protestos pacíficos organizados pela sociedade civil e os partidos da oposição".

Na terça-feira, as forças opositoras convocaram uma jornada de "cidade morta", na qual os seus seguidores não compareceram aos postos de trabalho e permaneceram em casa como protesto pelo atraso definitivo de eleições que deviam ser realizadas no final de 2016 e que finalmente só acontecerão em dezembro de 2018.

Em Kinshasa, capital do país, quase não havia gente nas ruas e a maior parte das lojas e escolas permaneceram fechadas.

Perante a convocação, o delegado da Polícia Nacional congolesa nesta cidade, general Sylvano Kasongo, ameaçou reprimir "com força e sem piedade" qualquer reunião de mais de cinco pessoas durante o dia.

O comunicado das delegações estrangeiras afirma que "estas ameaças estão em contradição com o compromisso do Governo de apoiar um processo eleitoral crível, livre e pacífico em 2018".

Perante futuros protestos, os diplomatas que assinam o documento reivindicam às autoridades que "se abstenham do uso excessivo da força" já que "serão considerados responsáveis por sua conduta, inclusive a título individual".

"Ao invés de trabalhar para proibir e dispersar as manifestações, o Governo congolês poderia trabalhar com a sociedade civil e os representantes da oposição para garantir que as coisas aconteçam de maneira segura e sem incidentes", acrescentam.

O novo atraso das eleições é visto pela oposição como uma tentativa do presidente congolês, Joseph Kabila, no poder desde 2001, de adiar sua saída da presidência, já que é proibido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato.

A situação representa a ruptura do acordo ao qual chegaram Governo e oposição para realizar as eleições antes do final de 2017. EFE

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