Novo Museu da Bíblia é inaugurado em Washington em meio a controvérsias

Javier Pachón Bocanegra.

Washington, 17 nov (EFE).- De proporções bíblicas por seus oito andares de altura e com um investimento de US$ 500 milhões, o Museu da Bíblia em Washington, nos Estados Unidos, foi inaugurado nesta sexta-feira em meio a uma grande polêmica por sua relação com o magnata Steve Green, mas com vocação para ser uma grande atração.

A suntuosa construção acabou se tornando alvo de controvérsias por sua relação com o multimilionário Steve Green, idealizador e principal financiador do Museu da Bíblia, e os problemas envolvendo a rede de comércio de antiguidades Hobby Lobby, da qual ele é presidente e filho do fundador.

A Hobby Lobby, por exemplo, recorreu à Suprema Corte dos EUA para não ter que pagar anticoncepcionais a suas empregadas dentro do seguro médico como parte do programa "Obamacare" alegando motivos religiosos, e a corte lhe deu razão.

A empresa também foi condenada em julho por importar ilegalmente milhares de antiguidades vindas do Iraque, e foi obrigada a pagar uma multa de US$ 3 milhões.

As dúvidas sobre a legalidade das antiguidades obtidas pela Hobby Lobby não ficam aí. Autoridades egípcias reivindicaram uma comprovação de como ela adquiriu alguns objetos do país, entre os quais se destaca um fragmento de uma bíblia do século V que chegou a ser exposto no Vaticano.

A relação entre a Hobby Lobby e o museu por intermédio de Green levou o centro a emitir um comunicado negando que os objetos sobre os quais a empresa de Green foi condenada teriam qualquer relação com o museu e sua exposição, apesar de parte dos artigos expostos pertencerem à família do magnata.

O histórico do principal financiador do projeto despertou curiosidade e controvérsia em torno do museu, que fica a apenas duas quadras do Mall, a esplanada que une o Capitólio e o Monumento de Lincoln e abriga os principais museus de Washington.

Nesta região existe uma tradição de evitar qualquer politização sobre o conteúdo dos museus, algo que é enfatizado pela imprensa local e corroborado por profissionais de outros centros consultados pela Efe por ocasião da inauguração do Museu da Bíblia, que procura mostrar o livro sagrado de forma "mais atrativa".

Nesse afã para cativar ao visitante, o museu incorpora objetos curiosos como uma bíblia que pertenceu a Elvis Presley e a coleção particular de exemplares da maior Torá do mundo, dentro dos mais de 130 mil metros quadrados do edifício.

São mais de 3 mil objetos históricos em suas dependências, dos quais 1.600 são emprestados, 1.100 do próprio centro e 300 da Coleção Green.

Com orações em diferentes idiomas no sistema de som das salas de fundo, Green afirmou esta semana aos jornalistas que seu objetivo é "educar sobre o que é a Bíblia e como ela influencia" a sociedade, e negou que serão adotadas posições "sectárias" no recinto.

"Os museus nunca foram objetivos e nunca serão", explicou à Efe Laura Shievo, diretora de Estudos Museológicos da Universidade George Washington, e que confessou que está muito curiosa para conhecer a influência de Green no conteúdo do centro.

"Se você tem uma visão fundamentalista da religião, não sei como poderá apresentar a Bíblia de uma perspectiva não fundamentalista", disse Schievo sobre o novo museu.

A especialista também comentou que um dos aspectos a serem observados é o que o museu não inclui, como as críticas à Bíblia e às interpretações fundamentalistas: "Não há nada sobre as cruzadas e é algo muito importante para prevenir abusos em nome do livro".

Chama a atenção a enorme quantidade de recursos destinados ao projeto, que custou mais de US$ 500 milhões.

A especialista em orçamentos museológicos e professora associada emérita da Universidade George Washington, Martha Morris, comentou para a Efe que esse orçamento mantém a tendência dos grandes museus da capital norte-americana da rede Smithsonian.

A tecnologia é um dos principais valores deste museu "com vocação internacional", ao combinar as antiguidades com salas para a projeção de animações e filmes relacionados com o livro sagrado do cristianismo.

Também há equipamentos que convidam o visitante a interagir para, entre outras atividades, realizar pesquisas sobre liberdade religiosa.

No total, são oito andares com salas que analisam a história da Bíblia e seu impacto na sociedade, além de um anfiteatro com 500 lugares, uma cafeteria e um jardim no terraço.

A entrada para o museu, que foi apresentado como o primeiro sobre a Bíblia "de classe mundial", será gratuita, com uma tarifa voluntária de US$ 15 para adultos e US$ 10 para os menores de 12 anos.

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