Prefeito de Caracas diz que é preciso exigir libertação de presos políticos

Bogotá, 17 nov (EFE).- O prefeito opositor de Caracas, na Venezuela, Antonio Ledezma, disse nesta sexta-feira em Bogotá que é preciso exigir ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que liberte "imediatamente" os presos políticos se ele realmente quiser empreender um diálogo com a oposição.

"Não deveria haver um único preso, isso é o que é preciso dizer a Maduro: liberte os presos políticos imediatamente se o senhor quer um diálogo", declarou o político opositor, que exibiu uma bandeira venezuelana com sete estrelas, e não com as oito que foram implementadas pelo chavismo.

Além disso, Ledezma advertiu que as sanções impostas sobre o governo da Venezuela "não são contra o povo", mas "contra uma quadrilha que roubou mais de US$ 600 bilhões".

"As sanções são contra gente que está em conluio com o narcotráfico, com o terrorismo, por isso a luta da Venezuela precisa da solidariedade de todos vocês. Não estamos pedindo compaixão, estamos pedindo solidariedade oportuna", ressaltou Ledezma.

O governo e a oposição da Venezuela se reunirão em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1º e 2 de dezembro para começar uma nova rodada de negociações e buscar uma saída para a grave crise política e econômica que o país atravessa, conforme anunciou ontem a Chancelaria dominicana.

Esta informação foi revelada depois que representantes do governo e da oposição venezuelana participaram em Santo Domingo de uma reunião "preparatória dos aspectos metodológicos e técnicos" do encontro de dezembro no país caribenho, cujo presidente, Danilo Medina, é um dos mediadores do diálogo junto com o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Mas Ledezma, que chegou à Colômbia depois de fugir de sua casa em Caracas, onde permanecia detido desde 2015 após ser preso em 19 de fevereiro daquele ano e enviado à prisão militar de Ramo Verde, ressaltou que "uma coisa é dialogar e outra é uma negociação com pontos muito concretos".

"Aos que agora vão participar do diálogo, que não voltem a cair na armadilha dos que querem transformar a República Dominicana numa espécie de catedral, como fez Pablo Escobar quando enganou o governo da Colômbia", declarou Ledezma aos jornalistas em Bogotá, pouco antes de embarcar em um voo com destino a Madri.

O prefeito opositor aludiu assim à luxuosa prisão que foi construída para o narcotraficante colombiano Pablo Escobar quando este se entregou às autoridades em 1991 e da qual depois fugiu antes de ser transferido para um centro de reclusão normal.

Nesse sentido, Ledezma destacou que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, é "solidário com a democracia venezuelana" e esclareceu que isto não significa que "ele esteja ao lado da oposição".

Ledezma também destacou o apoio de governantes como o argentino Mauricio Macri e o peruano Pedro Pablo Kuczynski, e afirmou que ambos são "solidários com a democracia venezuelana porque lhes preocupa e lhes dói o sofrimento do povo venezuelano".

Além disso, o político venezuelano insistiu em seu convite a seus compatriotas para que não se rendam e não percam o ânimo.

"É possível perder tudo, menos o ânimo e a moral. Eles saquearam nossa riqueza, saquearam nosso petróleo, saquearam nosso ouro. Não deixemos que saqueiem a moral e o entusiasmo", acrescentou Ledezma.

Sobre seus planos, o prefeito opositor assinalou que, após a viagem à Espanha, irá para os Estados Unidos e, depois, "para onde puder ir".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos