Projeto de Trump no Panamá foi financiado com dinheiro de drogas, diz ONG

Hernán Martín.

Washington, 17 nov (EFE).- A construção do Trump Ocean Club, um impressionante resort e condomínio de luxo na Cidade do Panamá, foi utilizada para lavar dinheiro procedente do tráfico de drogas e das máfias russas, e disso teria se beneficiado o agora presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo um relatório publicado nesta sexta-feira pela organização Global Witness.

O trabalho, realizado com entrevistas a empresários e advogados envolvidos no projeto, garante que o governante e magnata do setor imobiliário ganhou "milhões de dólares vendendo o seu nome" ao Trump Ocean Club, um enorme edifício em forma de vela voltado para o Oceano Pacífico que foi inaugurado pelo próprio Trump em 2011 e foi projetado para se transformar em um dos arranha-céus mais altos da América Latina.

"Depois de conceder a licença para a utilização de seu nome no Trump Ocean Club em 2006, Trump parece ter feito vista grossa para a fonte dos recursos dos compradores e os antecedentes de alguns dos agentes de vendas específicas", garantiu a ONG britânica especializada em revelar casos internacionais de corrupção, de abusos dos direitos humanos e de exploração do meio ambiente.

A investigação, feita durante nove meses, menciona especificamente a lavagem de dinheiro proveniente dos cartéis de droga latino-americanos, assim como de elementos da máfia russa.

"O importante aqui é que os negócios de Trump agora já não são apenas os seus negócios, ele é o presidente dos Estados Unidos e, portanto, são assuntos da nação; e os eleitores e os cidadãos têm o direito de saber" se ele teria se beneficiado de operações de lavagem de dinheiro, declarou à Agência Efe Eryn Schornick, uma das autoras da pesquisa.

Segundo Schornick, apesar de ser difícil saber com exatidão devido ao sigilo em torno das contas de Trump, o agora presidente teria obtido US$ 75,4 milhões com este negócio pelo menos até 2010, incluindo títulos, direitos de exploração e outros conceitos, aos quais é preciso somar vários milhões a mais desde então.

O relatório menciona concretamente os nomes do criminoso colombiano David Murcia Guzmán, condenado nos EUA por lavagem de dinheiro procedente do narcotráfico e criador de uma pirâmide financeira na Colômbia, com a qual roubou milhões de dólares.

A investigação também cita o brasileiro Alexandre Ventura Nogueira, sócio de Murcia que administrou a venda de cerca de um terço das 666 aquisições de apartamentos em construção no Trump Ocean Club.

O empresário brasileiro, que também é processado por fraude, foi peça fundamental na comercialização do projeto com uma equipe de agentes de vendas que frequentemente dirigia suas transações para compradores de origem russa e do Leste Europeu, e entre os quais, segundo reconheceu o próprio Nogueira, havia membros da máfia russa.

"Trump foi um dos beneficiados, já que recebeu uma percentagem de todas essas vendas", garantiu a Global Witness, que indica que as informações apresentadas por Trump quando assumiu a presidência mostra que ele "ainda estava ganhando dinheiro de um contrato de administração para o Trump Ocean Club quando assumiu o cargo" em janeiro.

A ONG admite que não pode afirmar qual era "o alcance do conhecimento que Trump tinha destes agentes de vendas e compradores", mas indicou que "é muito provável que a Organização Trump tivesse direito a receber relatórios de vendas e a exigir informações sobre os compradores".

"Isto deve ser investigado. Trump ganhou milhões graças a um projeto utilizado pelos cartéis latino-americanos do tráfico de drogas para lavar dinheiro. Para um empresário responsável, havia sinais de alerta (suficientes), mas parece que Trump não estav muito interessado em ficar informado", afirmou Schornick.

A assessora principal de políticas da Global Witness disse que a ONG já entrou em contato com a equipe do procurador-especial Robert Mueller e com os comitês do Senado e da Câmara dos Representantes que investigam Trump, para que averiguem se ele deve responder por ter se beneficiado da lavagem de dinheiro.

Sobre o Panamá, os investigadores não fizeram contatos com integrantes do governo porque nenhum deles está envolvido no caso. Schornick afirmou que o país continua sendo um local oportuno para lavar dinheiro, mas que esse não é um problema exclusivo da nação centro-americana, mas que atinge muitos outros países, inclusive os Estados Unidos.

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