"Jamais pensei que teria que emigrar da Venezuela", diz ex-prefeito foragido

Madri, 18 nov (EFE).- O opositor venezuelano Antonio Ledezma chegou neste sábado a Madri procedente de Bogotá após fugir de sua prisão domiciliar na Venezuela, deixando para trás um país "submetido" por conta da violência e do qual saiu "com a alma desgarrada" porque, segundo afirmou, "jamais pensei que teria que emigrar".

"Na Espanha me sinto livre" foram as primeiras palavras pronunciadas pelo ex-prefeito da região metropolitana de Caracas logo após pisar em solo espanhol e depois de abraçar sua esposa, Mitzy Capriles, e suas duas filhas, que lhe esperavam no aeroporto junto com dezenas de venezuelanos e simpatizantes da causa defendida por Ledezma em oposição ao regime de Nicolás Maduro.

Bandeiras da Venezuela, lágrimas e o hino de país marcaram a chegada do dirigente da Aliança Brava Povo na Espanha após ter fugido de sua prisão domiciliar de mais de mil dias em Caracas e ter passado pela Colômbia, de onde chegou à Europa.

"Vou me dedicar a percorrer o mundo, a contribuir no exílio para fazer uma extensão da esperança dos venezuelanos a sair deste regime", declarou Ledezma, que denunciou a "narcoditadura" que assola a Venezuela, que "usa a violência contra as instituições, que cometeu fraudes eleitorais, que mantém presos dissidentes políticos" e que, inclusive, "ameaça nossas famílias".

"Quando saí da minha casa após mais de mil dias presos injustamente não pude conter as lágrimas ao ver meninas e mulheres revirando cestos de lixo, e estamos falando do país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo e de um governo que desperdiçou uma imensa fortuna e onde foram roubados mais de US$ 600 bilhões", lamentou o opositor.

Ledezma também teve palavras de gratidão para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, - com quem se reunirá nas próximas horas - por ter apoiado sua causa.

Também agradeceu o apoio de todos os ex-presidentes espanhóis do governo, embora tenha

criticado a mediação de José Luis Rodríguez Zapatero na preparação das conversas que vão acontecer no início de dezembro entre o governo da Venezuela e a oposição na República Dominicana e comentou que, desde que o político espanhol chegou ao seu país, "há mais presos políticos e houve mais mortes".

Ledezma afirmou não ser contrário ao diálogo, "mas à metodologia" com a qual está sendo realizado, porque "um diálogo sincero beneficia à paz" não só da Venezuela, mas de toda a América Latina.

Mas lamentou que Zapatero tenha sido escolhido como mediador, e não o também ex-presidente do governo espanhol, Felipe González.

O ex-prefeito de Caracas ainda pediu "autocrítica" da oposição venezuelana para que aproveite "sua liderança e sua experiência" porque, segundo sua opinião, "as incoerências nos fizeram muitos danos" e existe "um cenário no qual todos cabemos".

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