Rua na Síria homenageia fundador da Coreia do Norte e laços entre os 2 países

Susana Samhan.

Damasco, 19 nov (EFE).- Todas as manhãs, uma comitiva de funcionários do governo da Coreia do Norte visita a rua e o monumento que homenageiam o fundador do país, Kim Il-sung, em Damasco, na Síria, para verificar se o local está limpo.

Diariamente, um carro preto da embaixada norte-coreana estaciona perto do escultura, e dela se aproxima o primeiro secretário da delegação diplomática, que se identifica como Ku Ku. O monumento possui uma mensagem talhada em pedra detalhando vida e obra de Kim (1912-1994) e que começa descrevendo o líder como "eterno" e "amigo íntimo do povo árabe sírio".

Em declarações à Agência Efe, Ku Ku explica, em um árabe impecável, que esta homenagem ao fundador da República Popular Democrática da Coreia foi uma ideia do governo da Síria.

"Os líderes e o povo sírio queriam fazer um reconhecimento ao líder norte-coreano por ser um símbolo de destaque na história e por seu trabalho no desenvolvimento das relações bilaterais entre esses dois países amigos", afirmou.

A rua, localizada numa área residencial do bairro de classe média alta de Kafar Souseh, em Damasco, foi batizada com o nome de Kim em 2002, quando o monumento também foi inaugurado. Em 2015, foi a vez de ser aberto um jardim na mesma via e que também leva o nome do avô do atual presidente norte-coreano, Kim Jong-un.

De acordo com Ku Ku, as relações da Síria com o seu país são de longa data.

"O presidente Kim Il-sung trabalhou com Hafez al Assad (antecessor no poder e pai do atual líder sírio, Bashar al Assad) na década de 70, e os dois fizeram bons laços entre ambos os povos amigos frente às forças hostis", destacou o diplomata.

As relações se desenvolveram ao longo do tempo e continuaram se consolidando durante os mandatos de Bashar al Assad e de Kim Jong-un, segundo Ku Ku.

"Existe parceria nos campos de energia elétrica, saúde, potabilização de água, nos esportes e com especialistas em várias áreas. É só troca de experiência, porque os países sofreram sanções internacionais e não podemos fazer investimentos", explicou o secretário da embaixada.

Atualmente, os poucos norte-coreanos que moram na Síria são diplomatas e funcionários do governo, e o mesmo acontece com os sírios que residem na Coreia do Norte.

Em uma loja de peças de carro bem em frente ao monumento, o mecânico Hosam Barut vê os diplomatas chegarem todos os dias.

"Eles vêm diariamente para organizar e inspecionar a rua. No passado, o monumento sofreu algumas avarias por estar ao ar livre. Agora está arrumado", contou Barut, que reconhece saber bem pouco sobre a Coreia do Norte.

"Sei que é um país que quer ser uma potência", afirmou.

Do lado de fora da loja, poucos pessoas passam pela rua de Kim Il-sung, paralela à principal avenida de Kafar Souseh, que tem vários shoppings e onde o trânsito é intenso.

Barut lembrou que antigamente havia uma praça no lugar do jardim, mas admite que não era tão limpa quanto agora.

Nesse pequeno parque, o jardineiro Kaled Taqua poda as plantas, mas pouca gente usa o espaço, que é cercado, sem bancos ou área de lazer.

"Eu me encarrego da manutenção do parque. As pessoas da embaixada (da Coreia do Norte) vêm aqui para dar uma olhada em como está", disse.

Taqua destacou saber que os norte-coreanos "gostam de limpeza", mas também não conhece muito sobre o país asiático.

"São (dois países) amigos. Existe amizade entre os dois Estados. Eles são bons e respeitosos. Para eles, a Síria é como seu segundo país", opinou.

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