Colômbia diz que chegada de venezuelanos complica pós-conflito no país

Washington, 20 nov (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, afirmou nesta segunda-feira, em Washington, que o crescimento do número de venezuelanos que chega ao país complica o pós-conflito porque representa um custo adicional grande para o governo de Juan Manuel Santos.

"Complica o pós-conflito na medida em que os recursos que o governo colombiano têm para responder aos compromissos assinados no acordo (de paz), nos quais temos que chegar com saúde, educação, projetos produtivos a várias zonas do país, são afetados com um custo adicional grande de receber uma quantidade 'x' de venezuelanos", afirmou a chanceler.

Holguín respondeu a pergunta dos jornalistas em entrevista coletiva na embaixada da Colômbia em Washington depois de se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson.

Sobre os dados da imigração venezuelana, a chanceler disse que só pode dar números oficiais. "Eu posso dar um número oficial, outra coisa são as pessoas que entram por qualquer parte e ficam. Nossa fronteira é imensa", explicou Holguín.

A ministra também ressaltou que há muitos venezuelanos com nacionalidade colombiana, filhos de colombianos ou que deixaram o país quando crianças. Todos, segundo ela, têm os mesmos direitos que os colombianos.

"Muitos deles voltaram, sobretudo jovens. Entre a imigração regular e irregular, calculamos que chegaram 450 mil venezuelanos no país no último ano e meio", disse a chanceler.

"Temos essa preocupação desde o primeiro momento, todos os dias essa preocupação aumenta. À medida que a Venezuela não encontre uma saída para sua crise, não conceda bem-estar à sua população, a possibilidade de as pessoas irem para a Colômbia é maior. E também para outros países", disse a chanceler, citando inclusive o Brasil.

A chanceler reconheceu que a chegada de venezuelanos gerou, em certas partes do país, uma rejeição dos colombianos à migração. No entanto, Holguín afirmou que o governo está trabalhando para que isso não cresça e volte a ocorrer.

"Trabalhamos e queremos trabalhar para que isso não ocorra. A Venezuela foi um país generoso com os colombianos que foram embora nos anos 60, 70 e 80. No mínimo há três milhões de colombianos lá. A Venezuela abriu a porta para eles em um momento no qual a Colômbia vivia uma situação muito difícil", afirmou.

"A única coisa que não podemos é não sermos generosos e entrarmos em na xenofobia de que os venezuelanos estão tirando nossos trabalhos, nossas oportunidades. Nós, como país, devemos ajudar os venezuelanos e tratá-los da melhor maneira para que saiam dessa crise", ressaltou a chanceler.

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