"New York Times" suspende importante repórter por conduta sexual inadequada

Nova York, 20 nov (EFE).- O "New York Times" anunciou nesta segunda-feira o repórter Glenn Thrush, setorista do jornal na Casa Branca, depois de o site "Vox" ter publicado uma reportagem na qual várias jornalistas alegam que ele teve uma conduta sexual inadequada com elas.

"A conduta que se atribuiu a Glenn nessa matéria do 'Vox' é muito preocupante e não coincide com os padrões e valores do 'The New York Times'", disse a vice-presidente sênior de comunicação corporativa do jornal, Eileen Murphy.

Murphy explicou que o jornal está investigando as denúncias e que, enquanto durar a apuração, Thrush ficará suspenso. Desde janeiro, ele cobria as informações sobre a Casa Branca e o governo do presidente Donald Trump junto com outros cinco jornalistas.

A reportagem publicado pelo "Vox" se baseia nos depoimentos de várias mulheres que estavam começando suas carreiras no jornalismo. As experiências de todas elas com Thrush, de 50 anos, sugerem um "padrão de comportamento inadequado", segundo o site.

Três mulheres entrevistadas pela jornalista Laura McGann, ela própria vítima do profissional do "Times", descrevem condutas que vão desde "toques e beijos não desejáveis até confusos encontros sexuais que ocorreram sob influência do álcool".

"Em entrevistas com 40 pessoas de dentro e fora de veículos da imprensa que conhecem Thrush, tive a imagem de um repórter cujo título não está à altura de seu poder e estatura. Pessoas que trabalharam com ele disseram que ele pode colocar o nome de um jornalista na frente de um editor certo, se ele quiser. Chefes de redações se importam com o que ele pensa", afirmou McGann.

O artigo foca na passagem de Thrush no site "Politico", onde ele foi correspondente político chefe antes de ser contratado pelo "The New York Times". Ele teria criado um "entorno tóxico" de trabalho, segundo o "Vox", fazendo fofocas que algumas das mulheres ouvidas pela reportagem suspeitam que tiveram impacto em suas reputações.

Além disso, a reportagem destaca que, ao chegar aos veículos de imprensa onde trabalhavam, algumas estagiárias eram alertadas sobre o comportamento inadequado de Thrush.

"Entre as mulheres que começavam em Washington, havia um alerta para que tivessem cuidado se o conhecessem em um evento com álcool ou se ele enviava uma mensagem direta no Twitter", escreve McGann.

Em comunicado, o repórter do " New York Times" disse lamentar profundamente ter irritado uma jornalista de 23 anos que rejeitou seus avanços em junho do ano passado. A história com a profissional, citada no artigo, foi considerada por Thrush como uma "experiência transformadora".

Thrush reconheceu ter abusado do álcool nos últimos anos, período no qual diss ter feito coisas das quais se envergonha, e disse que planeja começar um tratamento contra o alcoolismo, uma decisão que teve o apoio do "New York Times".

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