Veteranos de guerra pedem a zimbabuanos que saiam às ruas contra Mugabe

Harare, 20 nov (EFE).- A influente Associação Nacional de Veteranos da Guerra de Libertação do Zimbábue (ZNLWA, na sigla em inglês) convocou o povo zimbabuano a sair às ruas para mostrar sua rejeição a Robert Mugabe, cuja presidência "está acabada".

"O imperador está nu", disse o líder do agrupamento, Christopher Mutsvangwa, em entrevista coletiva em Harare.

Para os veteranos, o discurso pronunciado ontem por Mugabe, que contra todas as expectativas se recusou a renunciar, foi um "desgosto" para a nação e um motivo de "indignação" para o mundo inteiro.

"Sua presidência está acabada, senhor Mugabe. Está terminada, já não existe", declarou Mutsvangwa, em um tom ainda mais firme que o usado na sexta-feira passada para dar as costas ao líder, de quem tradicionalmente tinha sido aliado.

"Não vamos deixar Harare até que ele se vá. A mensagem é clara", enfatizou.

Mutsvangwa disse ainda que a iniciativa para pôr fim à presidência de Mugabe, que está no poder desde 1980, é uma questão política e da sociedade, não dos militares.

Enquanto o parlamento segue suas próprias vias, em alusão a uma possível moção de censura, Mutzvangwa considerou que há "outros caminhos" e, nesse sentido, os veteranos de guerra convocam o povo a voltar às ruas, como no sábado passado.

Segundo Mutsvangwa, o povo zimbabuano suportou muito sofrimento e Mugabe o esteve ignorando porque está mais preocupado em agradar sua esposa, Grace Mugabe.

"As duas principais agências que deveriam ter parado esta situação estavam fortemente infiltradas pelo G40 (facção do oficialismo alinhada com as aspirações de poder de Grace Mugabe)", destacou o veterano, em referência à polícia e aos serviços de Inteligência.

Isso não deixou outra alternativa às forças armadas, segundo Mutsvangwa, que tomar a iniciativa para corrigir a situação, algo pelo que estão "muito contentes".

"O mundo inteiro viu que isto não é um golpe", frisou, pedindo em seguida aos líderes da região, como o presidente sul-africano, Jacob Zuma, que entenda a situação desse modo.

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