Bill Clinton volta aos holofotes em debates sobre abuso sexual nos EUA

Pedro Alonso.

Washington, 21 nov (EFE).- A série de denúncias de abuso sexual contra poderosas figuras do mundo do cinema e da política dos Estados Unidos recolocou sob os holofotes o ex-presidente Bill Clinton, acusado por várias mulheres de ter conduta similar às denunciadas pelas vítimas dos astros de Hollywood.

Após o recente escândalo do produtor Harvey Weinstein, apontado por dezenas de mulheres como autor de diversos assédios sexuais, Hollywood vive uma onda de novas polêmicas com as denúncias contra outras personalidades de destaque, como, por exemplo, o ator Kevin Spacey.

Mas essas denúncias também chegaram ao mundo político. O senador democrata Al Franken foi acusado por uma apresentadora de beijá-la à força, sem consentimento, em 2006. Ele também teria tocado nos peitos da profissional enquanto ela dormia em 2006.

A acusação ocorreu em um momento de especial tensão no Congresso dos EUA devido às denúncias contra Roy Moore, candidato republicano ao Senado pelo estado do Alabama, acusado de ter se aproveitado de várias adolescentes há quatro décadas.

E não é tudo. A congressista democrata pela Califórnia Jackie Spier revelou ter sofrido, ainda como funcionária do Congresso, assédio por parte de um superior no escritório de um representante de seu partido na Câmara dos Representantes.

"Esse é um problema em nível nacional, e o Congresso não está imune a isso", afirmou Speier.

O escândalo também chegou a Clinton, que comandou o país entre 1993 e 2001, e agora enfrenta de novo uma antiga denúncia.

"Sinto que as pessoas estão começando a crer e perceber que realmente fui assediada sexualmente por Bill Clinton", disse à rede de televisão "Fox News" Juanita Broaddrick, que alega há duas décadas que o ex-presidente a estuprou em 1978, quando era procurador-geral do Arkansas.

Clinton também foi alvo de um maiores escândalos sexuais da história da política. Em 1998, sua relação extramatrimonial com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, que provocou um histórico julgamento por impeachment. O ex-presidente democrata, no entanto, acabou sobrevivendo ao processo e permaneceu no poder.

Mas as dúvidas sobre o comportamento sexual de Clinton foram além do "caso Lewinsky". Depois, ele enfrentou as acusações de assédio sexual de Paula Jones, ex-funcionária do estado de Arkansas, que acabou em acordo. O ex-presidente pagou US$ 850 mil para que ela retirasse um recurso sobre a denúncia na Justiça.

Jones acusou Clinton de chamá-la em 1991 para ir a um quarto de hotel. Na época governador de Arkansas, o democrata teria abaixado as calças e pedido que a funcionária lhe fizesse sexo oral.

O comportamento sexual do ex-presidente voltou aos holofotes nesta semana e teve impacto direto no Partido Democrata, que o venera, apesar das diversas denúncias.

A senadora Kirsten Gillibrand, que substituiu Hillary Clinton na sua vaga no Senado por Nova York, disse ao jornal "The New York Times" que a resposta apropriada do ex-presidente à aventura com Monica Lewinsky seria a renúncia.

A inesperada reprovação de Gillibrand, que começa a ser cotada como candidata à presidência para as eleições de 2020, provocou uma firme resposta de Philipe Reines, ex-assessor de Hillary.

"Durante 20 anos, você aceitou o apoio dos Clintons, dinheiro e a cadeira (no Senado). Hipócrita. Interessante estratégia para as primárias de 2020. Muita sorte", escreveu Reines no Twitter.

A própria ex-primeira-dama foi perguntada sobre os comentários de Gillibrand em relação ao seu marido. "Não sei exatamente o que ela está tentando dizer", se limitou a responder Hillary.

Candidata derrotada por Donald Trump nas eleições de 2016, Hillary defendeu as sobreviventes de assédio sexual durante a campanha. No entanto, os críticos afirmaram que a ex-primeira-dama sempre atuou como "escudo" da conduta inapropriada do marido.

Hillary, porém, não evitou falar sobre a polêmica envolvendo Al Franken. Para ela, o senador deve se desculpar e acatar uma medida de "prestação de contas".

"Eu não ouço isso de Roy Moore ou Donald Trump. Veja o contraste entre Al Franken, aceitando responsabilidade, desculpando-se, e Roy Moore e Donald Trump, que não fizeram nada disso", provocou.

Sem citá-la diretamente, Trump respondeu Hillary e atacou a adversária ao chamá-la de "pior perdedora de todos os tempos".

Na campanha de 2016, várias mulheres acusaram o agora presidente americano de assédio sexual. Trump negou as denúncias.

Em um vídeo de 2005 revelado em plena campanha, Trump se vangloriava, em um tom muito vulgar, que sua fama permitia que ele abusasse das mulheres. A divulgação da gravação gerou uma avalanche de críticas contra o republicano, mas não impediu que ele fosse eleito pouco depois.

Trump contra-atacou lembrando do passado de Bill Clinton, a quem chamou de "predador sexual" e de "maior abusador que sentou no Salão Oval", o escritório do presidente na Casa Branca.

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