Mnangagwa diz que não voltará ao Zimbábue se sua segurança não for garantida

Harare, 21 nov (EFE).- O destituído vice-presidente do Zimbábue Emmerson Mnangagwa, afirmou nesta terça-feira que não voltará ao país até que "sua segurança pessoal" esteja garantida e pediu ao presidente Robert Mugabe que renuncie se não quiser ser "humilhado", informou nesta terça-feira o portal "News Day".

"Disse ao presidente que não retornaria para casa até que esteja satisfeito sobre minha segurança pessoal, devido a forma como fui tratado após ser destituído", indicou Mnangawga em comunicado enviado para a imprensa.

"Dados os eventos que seguiram à minha destituição na segunda-feira, 6 de novembro", prosseguiu, "os soldados de segurança atribuídos a mim na minha residência foram imediatamente retirados", o que é "contrário" ao protocolo.

O antigo "número dois" do Governo confirmou que está em contato com Mugabe para avançar em uma resolução da crise, em seu primeiro comunicado desde que os militares tomaram o controle do país na semana passada.

No entanto, afirmou que não se trata de um problema entre ele e Mugabe, mas entre o presidente e seu povo, segundo Mnangagwa.

Para o ex-vice-presidente, Mugabe tem duas opções: "cooperar" e garantir assim seu "legado" ou enfrentar o povo e se arriscar a sofrer uma "humilhação".

Mnangagwa é o principal candidato a substituir Mugabe na presidência do país e novo candidato governista para as eleições presidenciais de 2018 após ser nomeado líder do partido governante em substituição do ainda chefe de Estado, de 93 anos.

Por fim, respaldou a iniciativa de seu partido, a governante União Nacional Africana de Zimbabué-Frente Patriótica (ZANU-PF), de impulsionar uma moção de censura contra Mugabe a partir de hoje no Parlamento.

Em um breve comparecimento de imprensa ontem à noite, o chefe das Forças Armadas, Constantine Chiwenga, afirmou que ambos já mantiveram contatos e que Mugabe traçou um "roteiro e uma solução definitiva para o país" após seu discurso televisionado de ontem à noite, no qual, ao contrário do que se esperava, não renunciou.

Os militares tomaram o controle do país na semana passada e desde então mantêm Mugabe, no poder desde 1980, e sua família sob prisão domiciliar.

Precisamente a destituição de Mnangagwa - um grande nome do partido e veterano de guerra que se opõe à esposa de Mugabe, Grace, com a vista posta na vice-presidência - é considerada a detonante da crise que atravessa o país.

Só uma semana depois de sua saída do Governo, os altos comandantes das Forças Armadas anunciaram que tomariam "medidas corretivas" se continuassem as "expulsões" no partido.

No dia seguinte, os tanques marchavam em direção a Harare e tomaram o controle desta nação da África meridional, além de pôr sob prisão domiciliar Mugabe e sua família.

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