Porta-voz do partido de Mugabe diz que "o poder deve ser descentralizado"

Harare, 21 nov (EFE).- Um porta-voz da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês), o partido cofundado pelo agora ex-presidente Robert Mugabe, que renunciou nesta terça-feira após quase 40 anos à frente do país, afirmou nesta terça-feira que a legenda buscará "descentralizar" o poder para que este não recaia em apenas um "centro".

"O poder deve ser dado a todo o mundo, deve ser descentralizado", afirmou Kennedy Mandaza em representação do partido ZANU-PF, em uma conversa telefônica com a emissora "ANN7".

"Uma das resoluções que saíram da reunião do Comitê Central da ZANU-PF é que vamos eliminar o conceito de um centro de poder e que isso será feito no congresso extraordinário do partido (que será realizado em dezembro)", acrescentou o porta-voz.

Por outro lado, Mandaza garantiu que ele e seus correligionários estão muito agradecidos pelo "trabalho que o presidente Mugabe fez pelo Zimbábue".

Para o porta-voz, Mugabe manteve uma liderança "forte" durante a maior parte de sua carreira política, mas, "infelizmente", não "terminou" com essa força nesta reta final.

Como motivos dessa derrocada, Mandaza mencionou "a influência de gente que o cercava".

O porta-voz explicou que ainda não são conhecidos os motivos que finalmente levaram Mugabe a renunciar. O anúncio veio de surpresa, no meio de uma sessão parlamentar que estava prestes a votar uma moção de censura contra ele impulsionada por seu próprio partido.

Está previsto que amanhã mesmo seja nomeado um novo presidente, segundo anunciou hoje o chefe da Câmara dos Deputados, Jacob Mudenda.

A ZANU-PF tinha dado um ultimato a Mugabe para renunciar no domingo passado, cujo prazo expirou ao meio-dia de ontem sem que o presidente mudasse de opinião.

Mugabe, pelo contrário, emitiu sua primeira mensagem pública desde que os militares se levantaram contra o seu governo e pediu que o Zimbábue voltasse à normalidade e iniciasse uma nova etapa, sem espírito de vingança.

Além da ameaça, o partido destituiu Mugabe como o número 1 da legenda e nomeou o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa em seu lugar, que também foi designado como candidato às eleições presidenciais de 2018.

O estopim do levante militar foi precisamente a destituição do vice-presidente Mnangagwa no último dia 6, forçada pela facção do partido governante ligada às ambições políticas da primeira-dama, Grace Mugabe, que queria suceder seu marido no poder.

A liderança de Mnangagwa no partido deverá ser formalizada em um congresso em dezembro.

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