Após 96h de prisão, 7 detidos por envolvimento na fuga de Ledezma são soltos

Caracas, 22 nov (EFE). - Ao todo, sete dos oito detidos por envolvimento na fuga do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, foram libertados ontem à noite, depois de mais de 96 horas presos numa unidade do serviço secreto sem a apresentação de acusações contra eles.

"Todos foram libertados, exceto a administradora do gabinete", explicou à Agência Efe o advogado de Ledezma, Joel García, que disse que a pessoa continua detida na sede Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em Caracas, sem que tenha sido levada a um tribunal.

Segundo a lei venezuelana, os corpos de segurança são obrigados a apresentar os detidos a um juiz - que deve decidir sobre a liberdade - em até 48 horas a partir do momento da prisão.

Entre os que já foram soltos estão o gestor do condomínio onde Ledezma morava, o zelador, um vigilante e a pessoa que fazia manutenção técnica das câmaras de segurança do complexo, situado em Caracas e onde Ledezma se encontrava em prisão domiciliar.

"Estas pessoas foram presas sem ordem de prisão, não foram apresentadas dentro das 48h a nenhum tribunal de controle e foram libertadas com a afirmação de que estavam na qualidade de testemunhas, ou seja, testemunhas que estiveram privadas de liberdade por mais de 96 horas", disse García.

De acordo com o advogado, a casa de Ledezma está "em posse do Sebin", apesar de a Justiça não ter ditado qualquer medida a respeito.

"Não permitem que ninguém entre no imóvel", explicou ele, lamentando a "arbitrariedade" dos funcionamento da Justiça.

O prefeito metropolitano de Caracas Antonio Ledezma, de 62 anos, conseguiu driblar a vigilância do Sebin no último dia 17 e fugiu para a Colômbia, de onde viajou para Madri para denunciar os problemas na democracia que, segundo a oposição e grupos de direitos humanos, acontecem na Venezuela.

Ledezma foi detido em fevereiro de 2015 por suposto envolvimento num plano de golpe denunciado pelo governo Nicolás Maduro. O vereador tinha sido um dos organizadores das manifestações de 2014 contra o governo chavista e chegou a declarar greve de fome em 2009 para mostrar oposição ao boicote que ex-presidente Hugo Chávez adotou contra a Prefeitura Metropolitana da capital após ele ganhar as eleições.

Segundo organização Fórum Penal, o político veterano um dos mais de 300 "presos políticos" que existem atualmente na Venezuela.

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