EUA classificam de "limpeza étnica" violência contra rohingyas em Mianmar

Washington, 22 nov (EFE).- O governo dos Estados Unidos declarou nesta quarta-feira que, após uma "análise cuidadosa e exaustiva" dos fatos, "está claro" que a violência e os abusos contra os integrantes da etnia rohingya no estado de Rakhine, no oeste do país, "constitui limpeza étnica".

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, que visitou Mianmar na semana passada, foi quem fez tal declaração.

"O governo e as forças de segurança de Mianmar devem respeitar os direitos humanos de todas as pessoas dentro de suas fronteiras e responsabilizar aqueles que não o fazem", opinou Tillerson.

Os EUA tinham evitado qualificar até agora de "limpeza étnica" a "devastadora crise" no estado de Rakhine e as "horríveis atrocidades" que se produziram, e descartou impor sanções contra Mianmar.

Não obstante, Tillerson advertiu hoje que "os responsáveis por essas atrocidades devem prestar contas".

O governo do presidente Donald Trump "continua apoiando uma investigação crível e independente" e também "buscará a prestação de contas através da legislação dos Estados Unidos, inclusive com a possível imposição de sanções específicas", afirmou Tillerson.

Mais de 600 mil rohingyas se encontram refugiados em Bangladesh depois que Mianmar iniciou uma operação militar contra essa minoria muçulmana em retaliação contra a morte de soldados em agosto durante um ataque da guerrilha rebelde Exército de Salvação Rohingya de Arakan (Arsa, na sigla em inglês).

Mianmar e Bangladesh começaram hoje em Naypyidaw, a capital do primeiro país, uma reunião de dois dias na qual ambas as partes esperam firmar um acordo sobre os 622 mil refugiados rohingyas.

A chefe 'de facto' do governo birmanês, a vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, e o ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Mahmoud Ali, manifestaram separadamente, antes do início das reuniões, que estavam confiantes de que chegariam a um memorando de entendimento em Naypyidaw, que permitiria iniciar a repatriação dos refugiados.

A Anistia Internacional (AI) apresentou ontem um relatório em Bangcoc, a capital da Tailândia, no qual acusa Mianmar de impor um regime de "apartheid" aos rohingyas, e denunciou que este sistema "institucionalizado" de discriminação constitui crime contra a humanidade.

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