Mianmar e Bangladesh buscam solução para os 622 mil refugiados rohingyas

Bangcoc, 22 nov (EFE).- Autoridades de Mianmar e Bangladesh iniciaram nesta quarta-feira em Naypyidaw, a capital do primeiro país, uma reunião de dois dias na qual ambas as partes esperam conseguir um acordo sobre os 622 mil refugiados da minoria muçulmana rohingya que cruzaram a fronteira em direção ao território bengalês para fugir da violência na antiga Birmânia.

A chefe 'de facto' do governo birmanês, Aung San Suu Kyi, e o ministro de Relações Exteriores de Bangladesh, Mahmoud Ali, manifestaram separadamente, antes do início das reuniões, que estavam confiantes de que chegariam a um memorando de entendimento em Naypyidaw que permitirá iniciar a repatriação dos refugiados.

Está previsto que Suu Kyi e Ali realizem amanhã a reunião final que concluirá os contatos iniciados hoje.

A alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini, ofereceu a ajuda do bloco para que Bangladesh e Mianmar cheguem a um acordo, durante uma visita que ela realizou no fim de semana passado aos refugiados rohingyas em Bangladesh.

A China também se ofereceu através do ministro das Relações Exteriores do país, Wang Yi, para ajudar a solucionar a chamada crise rohingya, entre outros países.

Aproximadamente 622 mil integrantes desta minoria muçulmana que é alvo de perseguição em Mianmar cruzaram a fronteira com Bangladesh até 20 de novembro, segundo os dados do Grupo de Coordenação Intersetorial.

O êxodo começou com as operações de retaliação das forças de segurança birmanesas lançadas após os ataques, em 25 de agosto, da guerrilha rebelde Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, na sigla em inglês) contra postos militares e policiais no estado de Rakhine (antigo Arakan), situado no oeste de Mianmar.

Apesar de a violência ter diminuído e da promessa de Suu Kyi de que o retorno dos refugiados será voluntário e seguro, a situação segue bastante desfavorável para esta minoria em Rakhine.

A Anistia Internacional (AI) apresentou ontem um relatório em Bangcoc, a capital da Tailândia, no qual acusa Mianmar de impor um regime de "apartheid" aos rohingyas, e denunciou que este sistema "institucionalizado" de discriminação constitui um crime contra a humanidade.

"Este sistema parece ter sido projetado para fazer com que as vidas dos rohingyas seja o mais humilhante e sem esperança possível", afirmou a diretora de investigação da AI, Anna Neistat, que qualificou de "limpeza étnica" a última campanha militar em Mianmar.

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