Recordes imobiliários e pobreza convivem em Hong Kong

Isabel Fueyo.

Hong Kong, 23 nov (EFE).- O indicador de pobreza em Hong Kong atingiu no ano passado um número recorde em uma das cidades mais caras do mundo, onde uma de cada cinco pessoas, quase 20% da sua população, vive com menos de US$ 500 por mês.

Em uma cidade onde as lojas de luxo coexistem com normalidade com idosos recolhendo pedaços de papelão às portas dos comércios para sobreviver, números oficiais sobre os indicadores de bem-estar social voltam a pôr em evidência a desigualdade social na considerada "capital da Ásia", onde a diferença entre ricos e pobres fica somente abaixo de Nova York em nível mundial.

O relatório "Situação de Pobreza em Hong Kong" elaborado pelo governo com dados correspondentes a 2016, revelou recentemente que 1,35 milhão de seus habitantes vivem abaixo da linha de pobreza, 7.000 a mais que em 2015, e a taxa de pessoas que sofrem necessidade aumentou 0,2 ponto percentual para 19,9%.

Segundo os parâmetros estabelecidos pelo governo em 2016, as residências onde cada habitante conte com menos de US$ 512 mensais para viver entra na categoria de pobre.

No outro extremo, um consórcio de empresas chinesas adquiriu recentemente um terreno edificável com vista para a baía de Hong Kong por US$ 2,21 bilhões, que o transformaram no solo edificável mais caro até agora vendido em Hong Kong.

O mercado imobiliário de Hong Kong traz uma lista de históricos recordes de vendas e preços exagerados do solo que deixam em evidência que a diferença de riqueza de Hong Kong também tocou seu nível mais alto, com as famílias mais ricas ganhando 44 vezes mais do que as mais pobres.

A respeito destas últimas, um estudo publicado em outubro pelo Conselho de Serviços Sociais de Hong Kong mostrou que mais de 40% dos lares com baixa renda - com cerca de 71 mil pessoas - gastam menos de US$ 1,92 em média por cada refeição.

"A perda de qualidade de vida em Hong Kong está começando a apanhar famílias que há menos de uma década podiam se considerar classe média", disse à Agência Efe Elena Hang, voluntária da associação local de ajuda à pobreza Society for Community Organization.

Segundo Hang, a organização está começando a ajudar famílias que há cinco anos desfrutavam de uma vida sem complicações e que agora se veem incapazes de pagar as despesas básicas mensais devido, principalmente, ao elevado custo da moradia.

O envelhecimento da população é outro problema a acrescentar na batalha contra a pobreza em uma cidade que carece de um sistema sólido de previdência pública e onde milhares de pessoas estão condenadas a viver de suas economias, ajuda de familiares e limitadas subvenções públicas na hora de enfrentar sua aposentadoria do trabalho.

"Não há muito espaço para que a taxa de pobreza diminua significativamente frente a uma população que envelhece rapidamente", admitiu o secretário-chefe do governo de Hong Kong, Matthew Cheung Kin-chung, durante a apresentação do relatório.

Cerca de 478 mil dos pobres são pessoas idosas, um número que em 2016 cresceu em mais de 19 mil em relação ao ano anterior.

As poucas estatísticas de esperança põem o alvo em um governo local que fechou 2016 com um crescimento do seu PIB de US$ 11,16 bilhões frente a 2015, mas o qual resiste a conter a diferença que condena os mais desfavorecidos ao fundo da lista.

Um governo que somente em 2010 estabeleceu o salário mínimo para a cidade, que começou com US$ 3,58 a hora há sete anos, uma quantia que está hoje em US$ 4,42, mas que, aplicando a inflação, em termos reais caiu para US$ 3,51.

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