Misteriosa epidemia atinge políticos do Paquistão com problemas na Justiça

Jaime León.

Islamabad, 25 nov (EFE).- O ministro das Finanças Ishaq Dar se transformou no último político paquistanês que tem pendências com a Justiça a deixar o país por conta de problemas de saúde, no meio de um processo judicial, se somando à lista de nomes importantes nesta mesma situação no Paquistão.

Ele se junta ao ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que operou o coração em Londres, no meio do escândalo do "Panama Papers", assim como sua esposa, Kulsoom, diagnosticada com um câncer que serviu de pretexto para que a família do político esteja ausente de muitas audiências dos casos de corrupção que enfrentam.

Outro que adoeceu no meio dos seus problemas foi o ex-ditador militar Pervez Musharraf, que deixou o país em 2016, alegando problemas médicos quando enfrentava vários casos judiciais com a promessa de retornar por "amor" ao seu país, algo que não fez.

A porta-voz do Ministério das Finanças, Mehreen Liaquat, confirmou à Agência Efe que o primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khaqan Abbasi, aceitou o pedido de licença médica de Ishaq Dar, que está em Londres há um mês tratando de problemas cardíacos.

"Imediatamente após realizar a "Umra" (peregrinação para Meca) no dia 28 de outubro, senti um profunda dor e peso no peito e me consultei com médicos locais que me aconselharam ir a um cardiologista", escreveu o ministro, em uma carta a Abbasi.

Já na capital do Reino Unido, os exames médicos mostraram uma doença coronária difusa e possível isquemia no coração, e os médicos recomendaram novos exames e que ele evitasse viagens aéreas internacionais.

O político, de 67 anos, ficará de licença por três meses, de acordo com a legislação do país. Caso retorne antes deste período, seguirá no Ministério, cargo que será ocupado pelo próprio Abbasi temporariamente.

O ministro enfrenta um caso de suposta corrupção e lavagem de dinheiro por posse de bens acima dos seus vencimentos e foi declarado recentemente foragido pela Justiça pelas suas seguidas ausências do tribunal.

O caso contra ele foi iniciado pelo Birô de Responsabilidade Nacional (NAB), principal órgão anticorrupção do país, bem como o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif e três dos seus filhos a pedido do Supremo Tribunal, no dia 28 de julho, na mesma sentença que desqualificou o ex-governante.

A investigação do Supremo começou seis meses antes por causa do "Panama Papers" que revelou supostas irregularidades nas finanças dos Sharif e Dar, e culminou com a saída do ex-primeiro-ministro do poder.

O ministro das Finanças não é o único que adoeceu após as revelações do "Panama Papers", onde aparece que três dos filhos de Sharif têm empresas em paraísos fiscais com as quais controlam propriedades na capital britânica.

O próprio Nawaz Sharif se submeteu a uma cirurgia no coração no dia 31 de maio de 2016, em Londres, onde passou um mês e meio, enquanto no Paquistão aconteciam vários protestos por conta da sua suposta corrupção.

As desventuras médicas desta família não pararam por aí, e a esposa do antigo governante, Kulsoom Nawaz Sharif, foi diagnosticada com um câncer de garganta quando já tinha sido escolhida candidata nas eleições parciais pela cadeira de deputado do seu inabilitado marido.

Kulsoom passa por tratamento em Londres pela sua doença desde o dia 17 de agosto e foi substituída pela sua filha Maryam na campanha eleitoral na circunscrição n-120 de Lahore.

A doença de Kulsoom serviu como pretexto para que Sharif e a sua filha Maryam não tenham se apresentado a várias audiências no tribunal, e os seus filhos Hassan e Hussain não fizeram isso em nenhum momento, motivo pelo qual foram declarados foragidos pela Justiça.

Também está declarado foragido o ex-presidente Pervez Musharraf, que abandonou o país no dia 18 de março de 2016 alegando problemas de saúde quando enfrentava várias acusações judiciais, uma delas por traição, um crime onde poderia ser condenado a pena de morte.

"Eu amo meu país. Voltarei em poucas semanas ou meses", prometeu no dia de sua partida, o ex-general que governou o Paquistão entre 1999 e 2008 após dar um golpe de Estado.

Ele não cumpriu sua promessa e foi declarado foragido no dia 31 de agosto do ano passado.

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